TikTokização sufoca debate eleitoral e propostas no país, aponta Fenaj
Presidenta da entidade critica busca por audiência rápida e marketing superficial nas candidaturas para o pleito.

O debate público sobre os rumos do Brasil sofre com um processo de esvaziamento das propostas estruturais durante o período eleitoral. O alerta foi feito pela presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, em entrevista recente. Segundo a dirigente, a disputa política atual enfrenta um modelo distorcido e marcado pela superficialidade das campanhas.
A representante da categoria argumenta que os problemas reais do país deixam de ser discutidos por dois motivos centrais. O primeiro envolve a busca da grande mídia por audiência instantânea e momentânea. O segundo diz respeito à adesão das candidaturas a uma lógica de marketing voltada para redes sociais, que reduz as discussões a conteúdos efêmeros.
Para a Fenaj, o cenário atual é reflexo direto de um processo violento de tiktokização da campanha eleitoral. A entidade aponta que os perfis dos candidatos priorizam formatos simplificados, enquanto poucos concorrentes parecem dispostos a debater com seriedade as demandas da sociedade e os desafios de longo prazo.
Crise institucional desvia foco
A atual crise político e institucional, que envolve denúncias ligadas ao caso Master e atinge órgãos como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, também domina o noticiário. Para a federação, esse cenário continuará guiando as atenções e prejudicando a exposição dos programas de governo de candidatos nos âmbitos nacional e estadual.
A organização defende que a imprensa precisa insistir na cobertura de temas estruturais e de longo prazo, como a questão climática, a exploração de terras raras e a instalação de data centers. A entidade reforça que os veículos de comunicação devem superar o jornalismo declaratório e buscar fontes plurais para informar a população sobre os reais desafios nacionais.
Com a proximidade do primeiro turno marcado para o dia 4 de outubro, a cobertura jornalística enfrenta o desafio de equilibrar a apuração das crises cotidianas com a exigência de propostas consistentes. A Fenaj conclui que a responsabilidade social da imprensa é fundamental para garantir o direito à informação de relevante interesse público e fortalecer a cidadania.
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31/10/2026






