Lula fará pronunciamento em rede nacional no domingo para falar de responsabilidade fiscal
O presidente reeleito vai falar à nação no domingo (8) para tentar acalmar o mercado financeiro. Medidas de ajuste devem ser anunciadas nas próximas semanas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai fazer um pronunciamento à nação, em cadeia nacional de rádio e televisão, neste domingo (8). Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o objetivo é acalmar o mercado financeiro e promover uma ideia de pacificação no quarto mandato. Será a primeira fala formal ao país depois da reeleição, em 25 de outubro.
O que deve ser dito
De acordo com as fontes, Lula dirá que seguirá perseguindo as metas fiscais e que não deixará de cumprir promessas de campanha. Ele deve afirmar que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o mandato e relacionar contas em ordem com a sustentabilidade dos programas sociais. Também deve tratar de juros e da necessidade de criar condições para a queda da taxa Selic.
Sobre a disputa eleitoral, o presidente deve agradecer a mulheres, estudantes e idosos pela virada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), reconhecer o cenário polarizado mostrado pelas urnas e pedir união em torno dos projetos do governo.
Medidas de ajuste
As fontes divergem sobre o conteúdo fiscal da fala. Uma versão indica que ele não anunciará medidas concretas de controle de gastos nem o nome do futuro ministro da Fazenda. Outra versão diz que ele apresentará medidas de ajuste discutidas com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), com quem passou horas reunido na terça-feira (3), no Palácio da Alvorada. Em ambas, a expectativa é que as medidas de contenção de gastos e de aumento de arrecadação sejam anunciadas nas próximas semanas.
Segundo as fontes, está descartado qualquer menção à proposta do economista André Lara Resende de tabelar os juros, que cairiam para 7,5% em 12 meses.
Contexto
O mercado financeiro registrou forte queda no primeiro pregão após a vitória de Lula. Durante a campanha, o presidente não deu indicações claras de como promete fazer o ajuste e fez promessas, como a universalização do Pé-de-Meia, a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima e reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo, que exigirão ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.
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