Flávio Bolsonaro diz que fugiu do Brasil sem ajuda de governos e que levará detalhes "para o túmulo"
Em entrevista a um jornal dos Estados Unidos, o senador negou ter recebido apoio de qualquer governo na viagem e disse que pretende voltar a disputar eleições no Brasil. Reportagens anteriores apontam que o jato foi providenciado por um funcionário da Casa Branca.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de algum governo na viagem que o levou aos Estados Unidos depois da derrota no segundo turno da eleição presidencial para Lula (PT). A declaração consta de entrevista de 75 minutos a um jornal americano, concedida na quarta-feira (4) e divulgada nesta quinta (5).
O que ele disse
"Fui eu sozinho. Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", afirmou. Sobre o trajeto, disse: "Como cheguei até aqui, isso vou levar comigo para o túmulo". Segundo o senador, a decisão de deixar o país foi tomada na manhã seguinte à eleição, de forma espontânea, com a mulher. Ele admitiu que tinha amigos no exterior: "Pode ter havido algum incentivo, mas nada além disso".
Flávio disse que sabe que o resultado final será sua prisão caso permanecesse no Brasil e criticou o Judiciário, que classificou como excessivamente zeloso e motivado por interesses políticos. Ele afirmou esperar que a estadia no exterior seja temporária e que, se houver novas eleições, será candidato outra vez.
Contexto
Flávio chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, depois de ser alvo de ordem para entregar os passaportes em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Ele não foi acusado formalmente de crime. Com o fim do mandato no Senado, no início de 2027, perde a imunidade parlamentar e poderá ser processado.
Reportagens publicadas na semana passada informaram que ele viajou em um jato particular providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca, e que a entrada nos EUA foi autorizada pelo presidente Donald Trump, segundo autoridades americanas.
Na entrevista, o senador reafirmou sua inocência. Ao rejeitar a derrota, ele já havia afirmado, sem apresentar provas, que o resultado da eleição era "matematicamente impossível".
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