Dermatite atópica atinge pele, sono e gera forte isolamento social
Doença inflamatória e crônica causa coceira intensa, feridas e estigma social, exigindo tratamentos caros e cuidados diários com a pele.

A dermatite atópica é uma condição inflamatória e crônica que afeta a pele, o sono, a saúde mental e a autoestima dos pacientes. Em manifestações graves, a coceira intensa gera feridas em carne viva e deixa a pele sensível ao menor toque. A estudante de medicina Clara Emery, de 23 anos, relata que precisou tomar antibióticos e enfrentar dores intensas ao deitar na cama ou tomar banho. A doença atinge regiões de dobras como joelhos, cotovelos e pescoço, além de áreas como rosto e mãos. Gatilhos variam desde alimentos e suor até o sol, fungos, ácaros, grama e períodos de estresse na infância ou na faculdade.
A jornalista Rayane Lopes, de 34 anos, moradora do Distrito Federal, convive com o problema desde os 18 anos e relata manchas e cicatrizes pelo corpo. Ela afirma que o estresse intensifica as crises e que já passou por situações constrangedoras devido ao desconhecimento alheio sobre a condição. A médica Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o diagnóstico é clínico, baseado na avaliação de lesões, cronicidade e coceira de difícil controle. A especialista aponta que 40% das crianças com a doença continuam a apresentar sintomas na vida adulta.
Impacto social e custos do tratamento
O preconceito e o bullying decorrem do desconhecimento público, pois muitos acreditam erroneamente que a doença é contagiosa. Roberto Takaoka, presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica, destaca que o isolamento social, a depressão e os distúrbios do sono acompanham frequentemente os pacientes. Para enfrentar esse cenário, o dia 23 de setembro foi oficializado como o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica pela Lei 14.916 de 2024. A data busca informar a população e combater o estigma que afeta o desenvolvimento psicossocial de crianças e adultos.
O tratamento envolve pilares como a hidratação constante da pele com cremes aplicados de duas a três vezes ao dia e banhos rápidos com pouca água quente. Médicos também prescrevem corticosteroides tópicos, imunossupressores orais e fototerapia com UVB de banda estreita para controlar os sintomas mais graves. Em casos severos, medicamentos imunobiológicos modernos atuam no sistema imune para conter as reações inflamatórias. No entanto, essas medicações de alto custo, que podem passar de dez mil reais por caixa, ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde.
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