Ciência fica fora de debate eleitoral por causa da crise
Entidade aponta que escândalos e disputas políticas esvaziam temas vitais para o futuro do país.

A campanha eleitoral brasileira avança sem dar espaço para discussões essenciais sobre ciência e tecnologia. Escândalos políticos e denúncias recentes monopolizam as atenções da sociedade neste momento. O cenário afasta dos palanques pautas fundamentais para o desenvolvimento de longo prazo do país. A avaliação foi feita pela presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Garcia.
A pesquisadora aponta que os eleitores e os candidatos acabam empurrados para uma falsa dicotomia. Na visão da entidade, o país sofre uma pressão para escolher entre debater a integridade das instituições e planejar o futuro estratégico. A gestora defende que as duas frentes integram a mesma agenda de interesse nacional. No entanto, o debate público atual ignora questões vitais para a próxima década.
A falta de espaço atinge áreas cruciais como o envelhecimento populacional e a transição energética. A transformação digital e o processamento de minerais críticos no subsolo brasileiro também ficam de fora. Além disso, o país enfrenta o risco iminente de novas crises sanitárias sem planejamento adequado. A SBPC lançou o Observatório das Eleições para tentar inserir mais de uma centena de propostas nas discussões, mas o engajamento das candidaturas continua baixo.
Impacto nas candidaturas
A estratégia da entidade científica sofreu forte impacto devido à atual crise político-institucional. Pouco mais de uma centena de candidaturas adotaram as propostas do observatório até o momento. Apenas uma postulação de âmbito federal e nenhuma para o governo estadual assumiram compromissos com a pauta. Candidatos ao Legislativo federal e ao Senado também reduziram o ritmo de adesões recentes. A disputa de versões e o vazamento de informações para atender interesses particulares aprofundam esse esvaziamento.
A comunidade científica ressalta que o rito processual e a fiscalização dos poderes precisam ocorrer dentro da legalidade. As investigações em curso não devem impedir o debate sobre o futuro estratégico do país. Historicamente, a ciência ganha relevância apenas durante emergências pontuais, como a pandemia de covid-19 e os recentes eventos climáticos extremos. A ausência de planejamento para o envelhecimento da população coloca em risco a autonomia econômica brasileira.
O cenário gera preocupação sobre a capacidade do Brasil de evitar o retorno à condição de exportador exclusivo de matéria-prima. O país possui prazos curtos para definir escolhas cruciais antes do término do período pré-eleitoral. A falta de respostas para problemas estruturais afeta diretamente a vida de toda a população. A SBPC cobra maior compromisso da classe política com os temas que realmente determinam os rumos da nação.
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