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CRISE NO PARAGUAI

Santiago Peña é detido em casa horas após ser destituído pelo Senado do Paraguai

O ex-presidente do Paraguai foi detido na noite desta sexta-feira (6), pouco depois de o Senado aprovar seu impeachment. O Ministério Público pediu a prisão dele e do ex-presidente do Banco Central em investigação ligada ao colapso do Ueno Bank.

Redação MNMundo3 min de leitura
Santiago Peña é detido em casa horas após ser destituído pelo Senado do Paraguai
Foto: Reprodução

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido por agentes da Polícia Nacional na noite desta sexta-feira (6), horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. Segundo os relatos, ele está sob custódia em sua residência. A medida foi tomada a pedido do Ministério Público, no âmbito das investigações sobre a crise do Ueno Bank.

O pedido do Ministério Público

Quatro procuradores das unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos encaminharam ao Juízo de Garantias o pedido de prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo. A investigação apura lesão de confiança e outros delitos. Os procuradores solicitaram que Peña permaneça detido em casa até ser colocado à disposição do Ministério Público. Carvallo, de acordo com o pedido, deve ficar sob custódia em instalações definidas pelo Comando da polícia.

O impeachment

O Senado aprovou o impeachment com 44 votos a favor e uma abstenção, e a decisão teve apoio de todas as bancadas. Peña foi considerado responsável por mau desempenho de suas funções, uma das hipóteses previstas na Constituição paraguaia para a destituição de um presidente. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment. O pedido de renúncia apresentado por Peña foi rejeitado pelo Congresso. A oposição argumentou que ele não merecia o título honorário de senador vitalício nem os privilégios de foro que o status ofereceria diante de um eventual processo penal ligado ao caso.

O vice-presidente, Pedro Alliana, teve o processo de destituição rejeitado e tomou posse como presidente, até 2028.

O caso Ueno Bank

O Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação ao constatar déficit nos índices de solvência, ligado a empréstimos a empresas vinculadas. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e perto de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado.

A oposição acusa o ex-presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Em comunicado divulgado minutos antes da votação, Peña disse ter apresentado a renúncia para evitar maiores danos ao país. Em publicação na rede social X, afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. A defesa dele não havia se manifestado sobre a detenção até a última atualização das fontes consultadas.

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