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PETRÓLEO NA VENEZUELA

O que muda com o controle americano sobre reservas de petróleo

Acordo entre Estados Unidos e Venezuela prevê exploração de campos petrolíferos por empresa ligada ao Pentágono pelos próximos 100 anos

Redação MNMundo3 min de leitura
O que muda com o controle americano sobre reservas de petróleo
Foto: Ministério da Notícia

O acordo energético firmado entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela estabelece a exploração de 21 porcento das reservas de petróleo do país sul por uma empresa privada ligada ao Pentágono. A medida busca garantir o fornecimento de combustíveis a baixo custo para o mercado americano em meio à escassez global provocada por conflitos recentes. A iniciativa altera profundamente a dinâmica econômica da Venezuela e repercute no mercado internacional de energia.

A parceria prevê a concessão de 17 campos de petróleo avaliados em 65 bilhões de barris pelo prazo de cem anos. A operação será conduzida pela empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), que tem 35 porcento de suas ações sob o controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. O entendimento diverge de declarações da presidência interina venezuelana, que mencionava um período inicial de vinte e cinco anos para a vigência do pacto.

A companhia operadora possui sede em Barbados e três filiais na Venezuela, sendo comandada pelo empresário Alejandro Betancourt. Dados oficiais indicam que a empresa já investiu um bilhão de dólares no setor e elevou a produção local de dezoito mil para duzentos mil barris diários. O modelo atual rompe com a antiga legislação que exigia participação majoritária do Estado venezuelano na exploração dos hidrocarbonetos.

Como funciona o controle do petróleo

A execução do pacto garante ao Departamento de Estado americano o direito potestativo de adquirir vinte porcento da produção atual e futura ao custo exato de fabricação. Esse volume destina-se ao reabastecimento da Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos para estabilizar o abastecimento interno. O governo norte americano também assegura o direito de preferência na compra dos oitenta porcento restantes da extração realizada pela companhia.

A estrutura administrativa da empresa operadora estabelece que a maioria dos membros do conselho de administração deve ser composta por cidadãos norte americanos. Além disso, a Casa Branca detém poder de veto na nomeação de qualquer integrante da cúpula diretiva da companhia. O acordo jurídico submete todas as controvérsias e regras de governança estritamente à legislação e aos tribunais dos Estados Unidos.

O pacto gerou debates acalorados entre especialistas e grupos políticos locais sobre a soberania dos recursos naturais do país caribenho. Enquanto defensores apontam a necessidade de investimentos externos para reativar a infraestrutura energética e recuperar a produção nacional, críticos apontam termos desfavoráveis na arrecadação fiscal projetada para o Estado venezuelano.

As próximas etapas do processo dependem da efetivação dos investimentos anunciados e da reação dos mercados internacionais de energia. A eficácia das medidas na redução dos preços dos combustíveis dentro dos Estados Unidos será testada nos próximos meses, às vésperas de importantes definições políticas no Congresso norte americano.

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