Brasil e EUA retomam conversas comerciais após aplicação de tarifaços
Negociações acontecem nesta segunda-feira após telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomam nesta segunda-feira as negociações bilaterais sobre comércio. A retomada ocorre após a Casa Branca aplicar, unilateralmente, uma tarifa de 25 por cento sobre parte das importações brasileiras no final de julho. A volta ao diálogo foi acertada após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no dia 21 de agosto. Na ocasião, Lula reforçou a posição do Brasil de que as cobranças são infundadas. Donald Trump propôs então a retomada das conversas diretas entre as equipes técnicas dos dois países para tentar solucionar o impasse econômico. Após a taxa de 25 por cento, o Brasil ainda enfrentou outra cobrança adicional de 12,5 por cento sob a justificativa norte-americana de falhas no combate ao trabalho forçado. Esse argumento foi utilizado por Washington para taxar cinquenta e nove países e também a União Europeia. Na avaliação do governo brasileiro, essa justificativa serviu para substituir a medida anterior que havia sido derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro deste ano. A administração de Donald Trump buscou assim uma nova base legal para restabelecer as tarifas que perderam validade no Judiciário norte-americano.
Motivações e críticas nas negociações
No caso da sobretaxa de 25 por cento direcionada exclusivamente ao Brasil, a Casa Branca baseou a decisão em uma investigação do Escritório do Representante Comercial. O órgão norte-americano alega que o país adota práticas comerciais desleais em setores específicos, como pagamentos eletrônicos pelo Pix e regras de acesso ao mercado de etanol. O governo brasileiro rejeita os argumentos e sustenta que a medida possui forte motivação política, além de não condizer com a realidade econômica. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apontou que os negociadores dos Estados Unidos exigiam a abertura total de mercados brasileiros sem oferecer nenhuma contrapartida comercial equivalente. Essa ofensiva comercial da Casa Branca ocorre em um cenário de disputa geopolítica para reafirmar a proeminência na América Latina. O movimento acontece diante do crescimento da influência econômica da China na região ao longo das últimas décadas. Além disso, autoridades em Brasília identificam nas ações da Casa Branca uma tentativa de interferir nas eleições gerais marcadas para outubro no Brasil.
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