Ir para o conteúdo
Ministério da Notícia
JULGAMENTO NO TSE

Mendonça propõe tese no TSE para julgar uso de deep fake

Ministro define critérios para diferenciar conteúdo sintético ilegal e busca dar segurança jurídica às decisões da Corte Eleitoral.

Redação MNSegurança3 min de leitura
Mendonça propõe tese no TSE para julgar uso de deep fake

Ministro durante sessão de julgamento.

Foto: Ministério da Notícia

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, propôs nesta terça-feira (25) uma tese jurídica para balizar os julgamentos sobre o uso ilegal de deep fake nas redes sociais durante a campanha eleitoral. A iniciativa busca estabelecer parâmetros claros para a Corte e garantir a segurança jurídica das decisões sobre o tema. As deep fakes ocorrem pela criação de conteúdo artificial com o objetivo de prejudicar candidatos na disputa. A divulgação desse tipo de material é expressamente proibida pelo tribunal.

No entendimento do magistrado, é necessário diferenciar o conteúdo sintético comum produzido por inteligência artificial, que já possui regras estabelecidas pela Corte, dos casos específicos de deep fake. A proposta foi apresentada em uma decisão que determinou a remoção imediata de um vídeo com imagens do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A campanha do político acionou a Justiça Eleitoral para argumentar que as cenas eram falsas e foram geradas por meios artificiais. No despacho, o ministro apontou que a suspensão da postagem é indispensável por não haver registros reais do candidato nas cenas veiculadas.

A definição apresentada pelo ministro detalha o conceito exato do problema para orientar os futuros julgamentos do tribunal. Considera-se deep fake o conteúdo sintético de áudio, vídeo ou combinação de ambos que, mediante criação, substituição ou alteração digital de imagem ou voz, apresente grau de realismo ou verossimilhança objetivamente apto a produzir falsa percepção de autenticidade quanto a manifestação, comportamento, fato ou circunstância representados. A discussão sobre o tema ganhou força com a convocação de uma reunião a portas fechadas na semana passada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, para definir a atuação do órgão na questão.

Novas regras para o pleito

As diretrizes sobre o uso de inteligência artificial foram aprovadas em março deste ano pelo plenário do TSE e valem para todos os candidatos e partidos nas eleições gerais de outubro. Os ministros proibiram que os provedores de inteligência artificial permitam sugestões de candidatos para votos, mesmo quando houver solicitação expressa dos usuários. O objetivo principal da medida é evitar qualquer interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores durante o processo democrático. O tribunal também endureceu o cerco contra a misoginia digital nas redes sociais e proibiu a publicação de montagens com candidatas que envolvam fotos e nudez ou pornografia.

Além das proibições diretas aos candidatos, a Corte Eleitoral reafirmou que as empresas provedoras de internet poderão ser responsabilizadas pela Justiça caso não removam perfis falsos e postagens ilegais feitas por seus usuários. A expectativa dos ministros é colocar a deliberação sobre o tema em prática já nas próximas sessões de julgamento. O tribunal deve decidir em breve os primeiros casos envolvendo o uso de deep fakes na campanha deste ano. A medida complementa o conjunto de ações adotadas pelo tribunal para coibir desinformação e garantir a lisura do pleito eleitoral em andamento.

WhatsAppSalvar

Quer a sua marca aqui? Anuncie no Ministério da Notícia

Leia também

Canal no WhatsApp