Mendonça acusa Moraes de direcionar investigação ilegal no Supremo Tribunal Federal
Ministro apresentou defesa nesta terça-feira e apontou abuso de autoridade por parte do colega de corte

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, protocolou nesta terça-feira sua defesa em processo conduzido na corte. Ele acusou o colega Alexandre de Moraes de cometer ilegalidades e abuso de autoridade. A manifestação foi enviada ao presidente do tribunal, ministro Edson Fachin. O prazo para a entrega do documento encerrou justamente nesta data. A crise institucional se aprofundou com novas acusações mútuas entre os magistrados.
A manifestação decorre de um pedido de investigação formulado anteriormente por Alexandre de Moraes contra André Mendonça. O processo foi aberto por Edson Fachin após a divulgação de um relatório da Polícia Federal. O documento continha conjecturas sobre a condução da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material sugeria que Mendonça teria direcionado investigações para atingir desafetos políticos.
Em sua resposta, Mendonça afirmou que Alexandre de Moraes solicitou relatórios de inteligência policial de ofício, sem qualquer provocação formal. O ministro argumentou que tais documentos carecem de validade probatória por não possuírem timbre oficial, data ou assinatura de autoria. Ele apontou que os papéis reúnem avaliações críticas sobre a supervisão judicial dos inquéritos. Para a defesa, a inclusão de seu nome no Inquérito das Fake News ocorreu sem suspeita prévia.
O relator da Operação Compliance Zero sustentou ainda que o colega usurpou a competência exclusiva do plenário para investigar ministros da corte. Ele classificou a atuação como uma tentativa de intimidar e obstruir a Justiça por meio de denunciação caluniosa. O conflito entre os dois magistrados tornou-se público no início de setembro. Na ocasião, Mendonça retirou o sigilo de dados extraídos do celular apreendido de Daniel Vorcaro.
Mensagens e desdobramentos na corte
Os registros recuperados do telefone do ex-banqueiro apontam o envio de dezenas de mensagens a Alexandre de Moraes entre 2023 e o final de 2025. O material indicava que o investigado buscava informações sobre operações iminentes e compartilhou termos contratuais com o escritório da esposa do ministro. As respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas pelos investigadores. A divulgação dessas informações gerou forte reação interna no tribunal.
Diante da repercussão, Alexandre de Moraes classificou a investigação relatada pelo colega como inconstitucional e ilegal. Ele próprio encaminhou os relatórios de inteligência à presidência do tribunal e defendeu que seu julgamento ocorra em conjunto com o de Mendonça. A presidência da corte agora analisa os argumentos apresentados pelas defesas para definir os próximos passos do procedimento. O caso segue sob a supervisão direta de Edson Fachin.
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