Facebook aprova anúncios com desinformação eleitoral em teste da Anistia
Organização internacional aponta falhas no sistema de moderação da Meta a poucos dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026

Placa da sede da Meta, em Menlo Park, nos Estados Unidos.
Um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil apontou falhas do Facebook em filtrar anúncios com desinformação eleitoral. A análise foi divulgada nesta terça-feira, a exatos quarenta dias do primeiro turno das eleições gerais. De quatorze publicações com conteúdo antidemocrático submetidas à plataforma, mais da metade teve a programação aceita pela rede social. A empresa americana Meta é proprietária da plataforma, embora os conteúdos testados não tenham chegado a ser publicados de fato.
A organização submeteu quinze anúncios pagos ao todo, redigidos em português e direcionados exclusivamente ao público brasileiro em idade de votar. Entre eles, quatorze continham desinformação eleitoral e apenas um foi classificado como neutro. Os ativistas dividiram os conteúdos problemáticos em três estratégias principais de desestabilização. Entre elas constam a deslegitimação eleitoral, a construção de inimigos políticos e discursos de autoritarismo com foco na segurança pública.
Um dos exemplos submetidos pedia abertamente o boicote às urnas e uma intervenção militar. O Tribunal Superior Eleitoral já esclareceu em diversas ocasiões que esse tipo de alegação é falso. A ONG detalhou que sete anúncios se concentraram em enganar eleitores sobre candidatos e instituições, enquanto os outros sete traziam dados incorretos sobre datas e regras de votação. Todos os testes foram programados para datas futuras para permitir o cancelamento prévio.
Falhas na moderação e origem dos envios
O levantamento revelou que oito dos anúncios submetidos foram aprovados para veiculação pela rede social. Os sete restantes, que incluíam o material neutro, foram rejeitados por exigirem verificação de identidade, sem menção ao conteúdo impróprio. A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, classificou o resultado como profundamente alarmante. Para a dirigente, a situação demonstra que a companhia falha em conter a desinformação enquanto continua lucrando com a publicidade.
Os envios dos testes foram realizados a partir de Londres, sem o uso de redes privadas virtuais para ocultar a localização geográfica. Para os pesquisadores, a facilidade de envio a partir do exterior expõe o risco de interferências externas nos processos democráticos brasileiros. O balanço financeiro da Meta aponta que a grande maioria de sua receita global no período veio de publicidade. A regulação brasileira exige que plataformas impeçam ativamente a circulação de fatos inverídicos sobre as eleições.
A Meta respondeu que o relatório se baseia em uma amostra reduzida de anúncios que nunca foram publicados e não reflete a escala de trabalho da empresa. A companhia afirmou que investe recursos significativos para proteger o pleito de 2026 com múltiplas camadas de análise. A legislação do Tribunal Superior Eleitoral determina que provedores de internet devem adotar medidas para conter a desinformação eleitoral de forma independente.
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31/10/2026






