Dino autoriza PF a acessar investigação sobre filme de Bolsonaro
Ministro do Supremo liberou dados de operação policial em São Paulo que apura contratos de produtora audiovisual

Montagem: à esquerda, Jair Bolsonaro com a faixa presidencial; à direita, imagem de divulgação da cinebiografia.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta segunda-feira que a Polícia Federal tenha acesso aos dados de uma investigação sobre a produtora audiovisual Go Up Entertainment. A empresa é responsável pelas gravações do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão atende a um pedido da própria corporação para examinar informações de uma operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo que investiga contratos firmados entre a produtora e a prefeitura da capital paulista.
A apuração que chegou ao STF envolve o envio de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora cinematográfica. Os repasses totalizam R$ 2 milhões e foram destinados por meio de emendas do deputado federal Mario Frias, do Partido Liberal de São Paulo. O caso foi formalmente apresentado à mais alta corte do país por meio de uma representação protocolada pela deputada federal Tabata Amaral, do Partido Socialista Brasileiro de São Paulo.
Repasses e conexões políticas
A destinação dos recursos veio a público após o ministro Flávio Dino assumir a relatoria de um inquérito específico que apura suposto desvio de finalidade na liberação da verba pública para o instituto. Paralelamente, o projeto cinematográfico sobre a trajetória política do ex-presidente ganhou repercussão nacional depois que uma reportagem do site The Intercept revelou tratativas sobre o financiamento das gravações.
De acordo com a publicação divulgada em novembro do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro, também do Partido Liberal do Rio de Janeiro, pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do longa-metragem. Após a revelação das conversas, o parlamentar negou qualquer irregularidade ou acerto de vantagem indevida com o executivo, sustentando que a captação de recursos ocorreu por meio de fontes estritamente privadas.
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