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ATIVISMO DE ACIONISTAS

Acionistas da Nike derrubam proposta de investidores conservadores sobre doações da marca

Gestora cristã que pressiona 242 empregadores americanos a cortar do plano de saúde procedimentos de transição de gênero em menores levou a disputa à assembleia da Nike e perdeu. A proposta ambiental do fundo soberano da Noruega também caiu.

Redação MNMundo4 min de leitura
Acionistas da Nike derrubam proposta de investidores conservadores sobre doações da marca
Foto: Ministério da Notícia

Os acionistas da Nike rejeitaram na terça-feira (8), em assembleia anual realizada de forma virtual, uma proposta apresentada por investidores conservadores que pedia à empresa um relatório sobre os riscos de suas doações e parcerias institucionais.

O texto entrou na pauta como Proposta 5 e foi protocolado pela consultoria Bowyer Research em nome do acionista William C. Cunningham, com o apoio da Inspire Investing, gestora americana de perfil cristão. A proposta pedia que a Nike avaliasse e divulgasse benefícios, custos e riscos jurídicos, reputacionais e competitivos do apoio financeiro que concede a entidades de defesa de direitos, com atenção especial à relação da marca com a Human Rights Campaign.

O conselho de administração recomendou voto contrário. A companhia argumentou que suas doações já passam por diligência prévia, acompanhamento interno e divulgação. Os acionistas seguiram a recomendação.

O que está por trás da proposta

A Human Rights Campaign é a maior organização de defesa de pessoas LGBTQ dos Estados Unidos e mantém o Corporate Equality Index, um ranking que pontua empresas por políticas internas de diversidade. Um dos critérios de pontuação é a cobertura, pelo plano de saúde do empregador, de procedimentos ligados à transição de gênero. A Nike alcançou pontuação máxima na edição de 2026 do índice.

É esse ponto que a Inspire Investing ataca. Segundo a agência Bloomberg, a gestora administra 5,4 bilhões de dólares e lidera uma campanha que reúne a Convenção Batista do Sul e o estado americano de Nebraska e já alcançou 242 grandes empregadores. A cobrança é para que os planos de saúde corporativos deixem de cobrir procedimentos de transição de gênero em menores de idade.

O argumento levado aos acionistas não é moral, e sim de risco financeiro. A gestora sustenta que a cobertura pode expor as empresas a processos judiciais, a mudanças regulatórias e a desgaste de imagem.

Para defender a proposta na assembleia, a Inspire Investing enviou Sophia Lorey, de 26 anos, ex-jogadora universitária de futebol formada pela Vanguard University. A fala dela se concentrou na contradição que o grupo enxerga entre o patrocínio da Nike ao esporte feminino e o apoio da empresa à organização.

Críticos da proposta afirmam que o tema tem pouca relação com o retorno dos acionistas e que a iniciativa tem motivação contrária a pautas LGBTQ.

A pauta ambiental também caiu

O mesmo encontro derrubou a Proposta 6, apresentada pela gestora Green Century Capital Management, que pedia mais transparência sobre as metas climáticas da companhia, incluindo o detalhamento de como a Nike pretende cumprir o que prometeu. O fundo soberano da Noruega, décimo primeiro maior acionista da empresa, apoiou o texto.

Em 2019, a Nike se comprometeu a reduzir em 65% as emissões de carbono das operações próprias e em 30% as da cadeia de fornecedores até 2030. Dados de 2024 mostram queda de 11% nas emissões da cadeia desde 2015.

"Não é que a gente ache que a Nike está falhando completamente. É mais que a gente quer saber o que está realmente acontecendo", disse Giovanna Eichner, da Green Century, à agência Reuters.

O conselho também recomendou voto contra essa proposta, sob o argumento de que a administração está mais bem posicionada para definir as metas.

O que passou na assembleia

Os acionistas aprovaram a remuneração dos executivos, apesar da oposição do fundo norueguês e das consultorias de voto Institutional Shareholder Services e Glass Lewis. A remuneração total do presidente-executivo Elliott Hill passou de 36 milhões de dólares no ano fiscal de 2026. Os onze nomes indicados pela companhia foram eleitos para o conselho de administração.

Os percentuais exatos de cada votação ainda não haviam sido informados à Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, até a publicação desta reportagem.

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