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The Economist diz que eleição brasileira oferece pouca esperança e critica Lula e Flávio

Em editorial publicado a dez dias do primeiro turno, a revista britânica afirma que o Brasil segue parado enquanto o mundo cresce e que nenhum dos dois favoritos tem plano confiável para dívida e corrupção. Ministro da Fazenda rebateu em artigo na própria revista.

Redação MNPolítica5 min de leitura
The Economist diz que eleição brasileira oferece pouca esperança e critica Lula e Flávio
Foto: Ministério da Notícia

A revista britânica The Economist dedicou sua capa ao Brasil e publicou, na quinta-feira (24), um editorial com o título "Brazil turns its back on the future", algo como "o Brasil dá as costas ao futuro". A ilustração traz o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente, a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A conclusão da publicação é dura com os dois lados. Para a revista, a disputa entre o petista e o filho mais velho de Jair Bolsonaro oferece "pouca esperança" de que o país mude de trajetória, e nenhum deles apresenta resposta convincente para os dois problemas que ela considera centrais: a corrupção e o avanço contínuo do gasto público.

Um país rico que não decola

O texto começa listando as vantagens brasileiras: reservas de petróleo grandes e em expansão, a Amazônia, uma matriz elétrica em que mais da metade vem de hidrelétricas, uma agricultura entre as mais produtivas do planeta, depósitos de terras raras e uma população de 220 milhões de pessoas.

Mesmo assim, segundo a revista, a economia brasileira ficou para trás nos últimos 50 anos, tanto em relação a países comparáveis quanto à média de crescimento mundial. A publicação usa a imagem de Brasília, planejada nos anos 1950 com o desenho de um avião, para dizer que o país continua parado na pista.

Em uma análise publicada na mesma edição, a revista lembra que o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro no ano passado, atrás apenas da China entre os países em desenvolvimento, mas aponta juros reais elevados, endividamento de famílias e empresas e crescimento da dívida pública como freios.

As críticas a Lula

Sobre o presidente, que completa 81 anos em outubro, o editorial reconhece que ele é um democrata e que defende o meio ambiente. A revista compara a idade dele à de Joe Biden quando o americano desistiu da reeleição, em 2024.

A crítica principal é econômica. Segundo o texto, o governo fez pouco para destravar o crescimento ou segurar despesas, não conseguiu avançar em reformas e deve encerrar o mandato com o maior gasto com juros da dívida pública em 25 anos. Na análise que acompanha o editorial, Lula é descrito como um esquerdista ultrapassado.

As críticas a Flávio

Sobre o candidato do PL, de 45 anos, a revista afirma que ele nega que a ação humana cause as mudanças climáticas, coloca em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas e sugere que pode não reconhecer o resultado em caso de vitória de Lula.

O editorial também menciona que o senador já foi investigado por suposta ligação com criminosos, o que ele nega, e diz que sua principal bandeira é o perdão ao pai, condenado em setembro de 2025 a 27 anos de prisão pela trama golpista. A análise da mesma edição chama Flávio de herdeiro político vingativo.

Segundo a revista, os dois aparecem empatados nas pesquisas, com o senador em trajetória de alta.

Dívida, juros e o caso Master

O ponto que a publicação considera mais urgente é o fiscal. Sem um plano para reduzir a dívida em relação ao PIB, argumenta, o risco de uma espiral de juros mantém o crédito caro e tira da economia o capital de que ela precisa para ganhar produtividade. A revista afirma ainda que 92% do gasto do governo é obrigatório por lei ou pela Constituição, o que dificulta qualquer corte.

O texto cita o escândalo do Banco Master como exemplo do desgaste institucional. De acordo com a revista, investigações da Polícia Federal mostraram que cinco dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal tinham algum tipo de ligação com Daniel Vorcaro, dono do banco.

Renan Santos citado como alternativa

Entre os demais candidatos, a publicação afirma que o nome cujas propostas mais se aproximam do que o momento exige é Renan Santos, que defende reformas estruturais profundas e corte de gastos. A revista ressalva, porém, que nem ele nem outros nomes de fora da polarização conseguiram ameaçar as máquinas eleitorais do PT e do bolsonarismo.

O que ainda funciona

O editorial não é só pessimista. A revista elogia a atuação da Polícia Federal nas investigações do caso Master e da tentativa de golpe, a imprensa brasileira, que considera independente e combativa, e o corpo diplomático do país. Diz também que o Supremo, apesar das falhas, conseguiu levar à prisão um condenado por golpe.

Para a publicação, o gatilho mais provável de uma crise seria uma alta acelerada da dívida e do custo dos empréstimos, com desvalorização do real, mais inflação e recessão.

A resposta do governo

Na mesma edição, a revista publicou um artigo assinado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que defende a política econômica do governo e contesta o diagnóstico de piora fiscal. Segundo o ministro, o déficit primário caiu desde 2023, as despesas primárias ficaram perto de 19% do PIB e a meta é voltar a registrar superávits nos próximos anos.

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