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AJUSTE FISCAL

Boulos fala em "chantagem do mercado" sobre ajuste fiscal e defende cortes em desonerações e supersalários

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirmou que o ajuste do próximo governo deve mirar privilégios, e não políticas para os mais pobres. Ele citou cerca de R$ 600 bilhões anuais em desonerações.

Redação MNPolítica2 min de leitura
Boulos fala em "chantagem do mercado" sobre ajuste fiscal e defende cortes em desonerações e supersalários
Foto: Reprodução

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou neste sábado (31) ver uma "chantagem do mercado" na pressão por ajuste fiscal no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista publicada hoje, ele defendeu que eventuais cortes sejam direcionados a privilégios, e não "ao lombo dos mais pobres".

O que o ministro propôs

Segundo Boulos, a discussão deve incluir a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários no setor público e mudanças nas emendas parlamentares impositivas. "Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia", disse.

"O corte que queremos é em privilégios: temos quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais", afirmou. Sobre as emendas, declarou: "Só aí tem R$ 61 bilhões."

Os números citados

O Tribunal de Contas da União estima os gastos tributários de 2026 em mais de R$ 600 bilhões. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, dos quais R$ 37,8 bilhões são emendas impositivas, de pagamento obrigatório.

A dívida bruta passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2022 para 82,5% em julho de 2026. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em setembro, ou R$ 11,1 trilhões, estável em relação a agosto, mas com alta de 4,3 pontos percentuais do PIB no ano.

Sucessão e governabilidade

Boulos minimizou a discussão sobre a sucessão de Lula e disse que a prioridade da esquerda deve ser a sustentação do quarto mandato. Para ele, antecipar nomes "só serve à divisão interna na esquerda e no governo". Ele afirmou ainda que o governo não deverá depender apenas da articulação com o Congresso e o Judiciário: "Precisaremos governar com as ruas e as redes."

Questionado sobre uma eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2028, o ministro disse que seu foco é "ajudar Lula a fazer um mandato histórico".

Contexto

O debate fiscal ganhou peso após a reeleição de Lula, no domingo (25). Bancos, gestores e agências de classificação de risco cobram clareza sobre as medidas do novo governo. A Fitch alertou para o aumento das incertezas fiscais, e o UBS apontou que investidores devem buscar medidas concretas e quantificadas antes de uma melhora da percepção sobre os ativos brasileiros.

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