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LEILÃO DO TESOURO

Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 com queda de juros

Órgão arrecadou R$ 33, 28 bilhões em prefixados nesta quinta-feira, aproveitando o momento do mercado financeiro.

Redação MNEconomia3 min de leitura
Tesouro realiza maior venda de títulos desde 2020 com queda de juros
Foto: Ministério da Notícia

O Tesouro Nacional vendeu nesta quinta-feira o total de R$ 33,28 bilhões em títulos prefixados para vencimentos entre 2028 e 2037. O gestor da dívida nacional aproveitou a queda de juros no mercado financeiro para aumentar as captações. Nas Letras do Tesouro Nacional, o órgão arrecadou R$ 27,856 bilhões para vencimentos entre 2028, 2029 e 2032. Com as Notas do Tesouro Nacional série F, que pagam juros semestrais, a venda alcançou R$ 5,427 bilhões para 2031, 2033 e 2037. Como o governo gasta mais do que arrecada, a venda de títulos serve para cobrir essa diferença por meio de empréstimos dos investidores.

Sergio Goldenstein, ex-diretor do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central e sócio da consultoria Eytse Estratégia, afirmou que foi o maior leilão desse tipo de título desde dezembro de 2020. Naquela ocasião, o Tesouro havia arrecadado R$ 44,3 bilhões em um único leilão. A ampliação expressiva da oferta sinaliza maior confiança do Tesouro na capacidade de absorção pelo mercado. O ambiente atual apresenta maior apetite por risco e redução dos prêmios de juros. Os juros futuros registraram forte queda nesta semana no cenário nacional.

Na última terça-feira, o Tesouro já havia captado R$ 6,83 bilhões em títulos públicos atrelados à inflação. Esse volume foi quase duas vezes maior do que a média anual para leilões desse tipo, que é de R$ 3,5 bilhões. A trajetória crescente da dívida pública exige que o governo ofereça rendimentos atraentes para honrar seus compromissos. Uma revisão nos gastos pode reduzir ainda mais esses juros. O mercado financeiro demonstra expectativa em relação a ajustes fiscais e à alternância de poder.

Repercussão política e cenário externo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou em evento em São Paulo que a equipe econômica do candidato do PL tem vendido ilusões ao não detalhar como alcançará os resultados almejados. Segundo Durigan, falar em superávit fiscal sem mostrar o caminho prático não condiz com a realidade. Enquanto isso, o mercado financeiro passou por uma sessão de ajuste nesta quarta-feira após o rali pós-eleitoral. O dólar voltou a superar R$ 5, fechando em alta de 0,83% a R$ 5,016. O Ibovespa recuou 0,74% e encerrou aos 204.302, 33 pontos, interrompendo a sequência de alta.

No cenário internacional, as bolsas dos Estados Unidos também terminaram o dia no campo negativo. O índice S&P 500 registrou queda de 0,22% durante o pregão. Os juros dos Treasuries americanos de dez anos chegaram a 5,36% antes de recuar para a região de 5,28%. O índice DXY subiu 0,36% e atingiu 102, 280 pontos. Juros altos em economias avançadas estimulam a fuga de recursos de países emergentes, pressionando o câmbio e a bolsa no Brasil.

Os preços do petróleo perderam força no período da tarde, mas o barril do tipo Brent para dezembro permaneceu acima de US$ 100. A alta do produto refletiu novas tensões no Oriente Médio monitoradas pelos investidores. No mercado de juros estadunidense, o foco esteve na avaliação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve. As próximas etapas do mercado dependem da evolução das negociações fiscais no país e dos desdobramentos econômicos externos.

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