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CRISE NO PARAGUAI

Senado do Paraguai nega por 39 votos pedido de Peña por mais 72 horas e mantém análise do impeachment

Os senadores rejeitaram o pedido do presidente Santiago Peña por mais três dias para preparar a defesa. Ele deveria comparecer ao Senado ainda nesta sexta-feira.

Redação MNMundo2 min de leitura
Senado do Paraguai nega por 39 votos pedido de Peña por mais 72 horas e mantém análise do impeachment
Foto: Reprodução

O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña por um prazo adicional de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment. Foram 39 votos contrários, em um Senado de 44 integrantes, e duas abstenções. Com a decisão, a análise do caso segue, e o presidente do Senado, Basilio Núñez, disse que Peña deveria comparecer à Casa em cerca de meia hora após a votação.

O argumento de Peña

Peña foi intimado a se apresentar às 10h (horário local) para responder ao processo. Em carta enviada ao presidente do Senado, ele pediu mais tempo e afirmou ter sido notificado às 22h15 de quinta-feira, com uma peça de acusação de 15 folhas e cerca de 300 páginas de anexos. Segundo ele, um prazo inferior a 12 horas é insuficiente e fere o devido processo legal.

Como o caso chegou ao Senado

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o início do impeachment. Antes, os deputados haviam rejeitado pedido semelhante contra o vice-presidente, Pedro Alliana. Em seguida, o Congresso convocou uma sessão conjunta para tratar da renúncia apresentada por Peña, mas ela não foi concluída porque parlamentares do Partido Colorado impediram a formação de quórum. O pedido de renúncia ainda não foi analisado, e Peña segue na Presidência. O Senado, então, deu andamento ao processo de forma independente, aprovou os procuradores que apresentarão o caso e intimou o presidente.

A crise do Ueno Bank

O processo tem origem na crise do Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça-feira (3). O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos de órgãos públicos, incluindo dinheiro da previdência social. A autoridade monetária identificou problemas de solvência, e o acesso dos clientes aos depósitos ficou restrito, o que provocou protestos no país.

Parlamentares acusam Peña de conflito de interesses por ter sido acionista, até março de 2025, do grupo ligado ao banco. Ele afirma que vendeu sua participação naquele mês e nega irregularidades. Se for condenado no impeachment, perde o foro privilegiado e pode responder à Justiça comum.

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