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Ministério da Notícia
RELATÓRIO DA ONU

Risco de guerra mundial salta 16 posições e vira o maior temor global, aponta ONU

Levantamento das Nações Unidas ouviu mais de 1.300 especialistas de sete regiões do mundo e colocou a guerra em larga escala no topo das preocupações. Para 36% deles, um conflito desse tamanho pode atingir boa parte da humanidade em até um ano.

Redação MNMundo5 min de leitura
Imagem ilustrativa. Miniaturas de soldados e bandeiras posicionadas sobre um mapa-mundi em uma representação de conflito geopolítico.
Risco de guerra mundial salta 16 posições e vira o maior temor global, aponta ONU

Imagem ilustrativa. Miniaturas de soldados e bandeiras posicionadas sobre um mapa-mundi em uma representação de conflito geopolítico.

Foto: Saifee Art

A possibilidade de uma nova guerra mundial passou a ser a maior preocupação entre quem estuda riscos globais. É o que mostra o Relatório Global de Riscos das Nações Unidas divulgado na terça-feira, 15 de setembro, que ouviu mais de 1.300 especialistas de governos, organizações internacionais, empresas, universidades e entidades da sociedade civil, em todas as regiões do mundo.

O levantamento pediu que cada participante avaliasse 28 ameaças, divididas em cinco famílias: políticas, econômicas, ambientais, sociais e tecnológicas. Cada uma foi julgada por quatro réguas diferentes, o quanto importa, o quão perto estão os seus efeitos, o quanto ela puxa outras ameaças junto e o quanto as instituições estão preparadas para enfrentá-la.

A guerra em larga escala foi a única ameaça a aparecer entre as seis primeiras em todas as quatro réguas.

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O salto que nenhum outro risco teve

Na comparação com a primeira edição da pesquisa, feita em 2024, o risco de um conflito de grandes proporções subiu 16 posições na régua que mede o quanto os efeitos estão próximos. É a maior escalada registrada entre os 28 itens da lista.

Os números por trás desse salto: 36% dos entrevistados acreditam que uma guerra em larga escala pode atingir uma parcela significativa da humanidade em até um ano. Quando o prazo aumenta para sete anos, o percentual sobe para 76%, ou seja, três em cada quatro.

No prefácio do documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, escreveu que os resultados são preocupantes e que a perspectiva de uma guerra em larga escala aparece hoje como muito mais importante e muito mais imediata do que era há dois anos. Ele encerra o texto dizendo que "a escolha é nossa".

O que mudou desde 2024

A edição anterior da pesquisa tinha outro retrato. Naquele momento, o que mais assustava eram as ameaças ambientais, a circulação de informação falsa e as pandemias.

Agora o centro do tabuleiro é político. Tensão geopolítica, conflito armado e enfraquecimento do Estado de Direito ocuparam o lugar que antes era de outras famílias de risco.

O relatório também mapeou como as ameaças se puxam umas às outras e encontrou 705 ligações entre elas. A mais forte de todas liga tensão geopolítica e guerra, o que ajuda a explicar por que as duas subiram juntas.

O medo é o mesmo nas sete regiões

A mudança não é concentrada em um continente. Guerra em larga escala e tensão geopolítica aparecem entre os dez maiores riscos nas sete regiões analisadas, e entre os cinco primeiros em seis delas. Há dois anos, as duas ameaças estavam entre as cinco principais em apenas uma região.

Há recortes locais dentro desse quadro. Armas de destruição em massa entraram na lista dos dez maiores riscos na Ásia Central e Meridional, na África Subsaariana e na Oceania.

Na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático, cresceram as preocupações com uma eventual crise financeira global, com os efeitos da inteligência artificial e com o poder acumulado pelas empresas de tecnologia.

Inteligência artificial entra na conta

A tecnologia é a novidade mais visível da lista. Riscos ligados a ela entraram entre os dez principais na Europa e na América do Norte, puxados pelo avanço rápido da inteligência artificial e pela concentração de poder nas mãos de poucas companhias.

O ponto que o relatório destaca é o descompasso. Justamente nessa área, o sistema multilateral aparece como o menos preparado para responder. A percepção dos entrevistados é de que faltam regras, coordenação e capacidade de fiscalização no mesmo ritmo em que a tecnologia avança.

Clima segue no topo, pandemia sai da lista

Apesar de a guerra dominar as manchetes do documento, a falta de ação contra o aquecimento global continua sendo apontada como a ameaça mais importante no conjunto da pesquisa. A diferença é que ela deixou de ser vista como a mais iminente.

No caminho oposto, pandemias e riscos biológicos deixaram de figurar entre os dez primeiros em todas as regiões, cinco anos depois de terem ocupado o centro das atenções.

Dinheiro curto e instituições fracas

Para 86% dos entrevistados, os recursos destinados à redução de riscos são insuficientes. Entre os itens considerados mais desassistidos estão os fenômenos naturais extremos e o colapso das instituições multilaterais.

A maioria aponta a cooperação entre governos como a medida mais eficaz para evitar crises. O relatório observa, porém, que as instituições das quais se espera essa resposta são vistas como cada vez menos capazes de agir, num momento em que a confiança entre países está em baixa.

O relatório não é uma previsão

As próprias Nações Unidas fazem questão de marcar o limite do documento. Ele não diz que uma guerra mundial vai acontecer, nem calcula probabilidade de acontecer. O que ele registra é a percepção de quem trabalha com esses temas sobre o tamanho e a urgência de cada ameaça.

Na prática, o valor do levantamento está na comparação. Duas edições, dois anos de distância e uma lista de prioridades que virou de ponta-cabeça. É esse movimento, e não um vaticínio, que a ONU coloca na mesa dos governos.

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