Maior ataque de drones da guerra atinge refinaria de Moscou no último dia da eleição russa
Centenas de drones atingiram a capital russa e a região ao redor na madrugada de domingo, 20 de setembro, mataram duas pessoas e incendiaram a refinaria que fornece 40% do combustível da cidade. O ataque aconteceu enquanto os russos votavam no último dia das eleições legislativas.
Imagem ilustrativa. Explosão com bola de fogo e nuvem de fumaça, sem relação com o ataque a Moscou.
Uma onda de drones atingiu Moscou e as cidades ao redor da capital russa na noite de sábado, 19, para a madrugada de domingo, 20 de setembro. Duas pessoas morreram, prédios residenciais pegaram fogo e a principal refinaria de petróleo que abastece a cidade foi danificada. O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, chamou a ofensiva de sem precedentes e disse que foi a maior contra a capital desde o começo da guerra.
O ataque aconteceu no terceiro e último dia das eleições legislativas russas, as primeiras desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Enquanto as seções de voto funcionavam, a defesa antiaérea russa operava sobre a região metropolitana.
Os números divulgados pelas autoridades russas não batem entre si. Sobianin afirmou que mais de 1.600 drones foram derrubados em todo o país desde sábado, 450 deles em direção a Moscou. O Ministério da Defesa da Rússia informou um total diferente, de 1.110 aparelhos destruídos durante a noite em várias regiões, na Crimeia ocupada e sobre o Mar Negro. Nenhum dos dois balanços foi submetido a verificação independente.
A refinaria que abastece quatro em cada dez litros da capital
O alvo de maior peso foi a refinaria da Gazpromneft no distrito de Kapotnya, na periferia sul de Moscou, a cerca de 15 quilômetros do Kremlin. A unidade processa até 12 milhões de toneladas de petróleo por ano e responde por aproximadamente 40% do combustível consumido na cidade.
Segundo o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, foram atingidas a unidade de destilação primária AVT-6, uma unidade integrada de refino e a unidade de isomerização, o que provocou um incêndio de grandes proporções no complexo. A instalação fica a cerca de 560 quilômetros do território ucraniano.
As duas mortes e o prédio de 21 andares
As vítimas fatais foram registradas fora da cidade de Moscou, na região administrativa que cerca a capital. O governador Andrei Vorobiov informou que uma mulher de 44 anos morreu na localidade de Sofino, onde outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças. Um homem de 74 anos morreu dentro de casa em Ramenskoie.
Ainda em Ramenskoie, um prédio residencial de 21 andares foi atingido e pegou fogo. Cerca de 400 moradores precisaram deixar o edifício. Um centro logístico em Sofino também foi consumido por um incêndio de grandes proporções.
O tráfego aéreo foi interrompido por horas. Os aeroportos de Domodedovo e Jukovski, que servem Moscou, e o de Saratov tiveram as operações restringidas durante o ataque.
Kiev confirmou o ataque horas depois
Nas primeiras horas, o governo ucraniano não se manifestou sobre a autoria, o que é comum em operações de longo alcance. Ao longo do domingo, o presidente Volodimir Zelenski confirmou os ataques contra a instalação em Moscou, e o Estado-Maior ucraniano detalhou quais unidades da refinaria foram alvo.
Na avaliação do comando militar ucraniano, atingir instalações desse tipo é exercício do direito de autodefesa do país. Drones de longo alcance do serviço de segurança ucraniano percorreram mais de 500 quilômetros para alcançar o complexo.
Zelenski também voltou a falar em redução da tensão. Segundo ele, passos de desescalada estão sobre a mesa nas áreas de energia e de segurança alimentar, desde que haja reciprocidade do lado russo.
A acusação do prefeito
Sobianin afirmou que o ataque tinha por objetivo perturbar as eleições russas. O prefeito não apresentou elementos que sustentem essa leitura, e a Ucrânia não vinculou a operação ao calendário eleitoral. Refinarias e depósitos de combustível russos vêm sendo alvo de ataques ucranianos de longo alcance há meses, em ritmo que não depende de datas políticas.
A eleição que acontecia enquanto os drones caíam
A votação começou na sexta-feira, 18, e terminou no domingo, 20. Estavam em disputa as 450 cadeiras da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento, além dos governos de 11 regiões.
Apenas partidos que apoiam o presidente Vladimir Putin e a guerra na Ucrânia estavam na cédula: Rússia Unida, o Partido Comunista, o LDPR, Rússia Justa e Novas Pessoas.
O Yabloko, único partido abertamente contrário à guerra que ainda funcionava dentro do país, foi barrado em agosto pelo Supremo Tribunal russo. A ação que resultou na exclusão foi movida por outro partido, o Rodina, e alegava financiamento estrangeiro. Depois de perder a lista nacional, o Yabloko ainda tentou disputar por distritos, e parte desses candidatos foi retirada da disputa por decisões judiciais em várias regiões.
A oposição que vive no exílio, sem legenda para apoiar, convocou os eleitores contrários à guerra a comparecer às urnas ao meio-dia de domingo, como forma de manifestação visível nas filas.
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