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MERCADO

Real cai cerca de 10% no mercado futuro de Chicago após a reeleição de Lula

Contratos futuros da moeda brasileira na CME recuaram cerca de 10% na noite de domingo, depois da vitória de Lula no segundo turno. Analistas esperam forte volatilidade na abertura dos mercados na segunda-feira.

Redação MNEconomia2 min de leitura
Real cai cerca de 10% no mercado futuro de Chicago após a reeleição de Lula
Foto: Reprodução

A moeda brasileira recuou cerca de 10% no mercado futuro da CME, em Chicago, na noite deste domingo (25), depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O movimento contrariou a expectativa do mercado financeiro, que atribuía maior probabilidade de vitória ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

Os números

Às 22h20 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em novembro registrava baixa de 10,02%. O dólar implícito para a segunda-feira (26) estaria em R$ 5,56. Por volta das 21h58, as opções mensais de BRL/USD cediam 10,17%, e no pior momento a moeda brasileira chegou a perder 12% de valor frente ao dólar.

Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, o dólar no Brasil havia fechado em baixa de 0,97%, a R$ 4,9896 na venda, em meio ao otimismo do mercado com a possibilidade de vitória da oposição. Após o primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio apareceu à frente nas urnas, o dólar à vista fechou em baixa de 4,12%, a R$ 5, na segunda-feira, 5 de outubro.

O que dizem os analistas

O mercado vinha tratando a vitória de Flávio como a possibilidade de uma virada na política fiscal, com rearranjo das contas públicas e controle da dívida bruta federal, o que traria alívio aos juros.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, vê volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027. Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, disse que o resultado "contraria o cenário base" e que o mercado não estava posicionado para esse desfecho. "Amanhã devemos passar por um ajuste severo de preços na abertura", avaliou. Ele espera pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal.

Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que o resultado representou uma mudança importante na percepção de risco do mercado brasileiro.

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