Presidente do TSE diz que pode ser necessário mudar regras às vésperas da eleição e nega negócios com Vorcaro
Em entrevista, Kassio Nunes Marques afirmou que não vai mais liderar a minuta sobre canais de WhatsApp, mas não descarta que outro ministro a apresente. Sobre mensagens de Daniel Vorcaro, falou em "recortes e retalhos".

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou em entrevista publicada nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno, que o ideal é não mudar as regras eleitorais às vésperas do pleito, mas que isso "às vezes pode se tornar necessário".
Regras e tecnologia
Segundo o ministro, mudanças podem beneficiar o processo eleitoral. "Se surgir uma tecnologia nova, que não esteja abrangida pela resolução, vamos permitir que ela influencie o processo eleitoral ou vamos refletir sobre a possibilidade de restringir seu uso?", questionou. E acrescentou: "Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras. Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo".
Canais de WhatsApp
Nunes Marques afirmou que não vai mais capitanear a minuta de resolução que previa restrições a canais de WhatsApp nas 48 horas anteriores à votação. Ele disse que isso não impede que outro ministro da Corte faça a proposta e que a iniciativa não partirá da presidência do tribunal.
Questionado sobre decisões divergentes do TSE envolvendo o canal "Exército do Lula" e o canal "Tropa do Flávio", o ministro respondeu que o canal do candidato Flávio Bolsonaro estava vinculado à campanha e o "Exército do Lula", não. Segundo ele, as partes precisam propor as ações competentes para que o tribunal faça essa aferição. Sobre a possibilidade de censura, disse que, de forma abstrata, a derrubada de um canal pode configurar censura, mas que não é o caso quando o canal é usado para desinformação.
Caso Master
Sobre mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que mencionam seu nome, o ministro as chamou de "recortes e retalhos extraídos de celulares de terceiros". Disse que nunca teve negócios com Vorcaro, que nunca pediu nada a ele e que ele nunca pediu nada ao ministro, mas não negou conhecê-lo socialmente. "Sei que há um esforço para me tirar do processo", afirmou, sem apontar responsáveis. O ministro também negou que seu filho tenha recebido pagamentos do Master.
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31/10/2026






