Presidente da Petrobras diz que ninguém previu petróleo a US$ 116 e que estatal ainda não definiu o que fará
Magda Chambriard afirmou que a empresa começa a discutir como reagir à alta do Brent, cotado a US$ 116,93 neste sábado (24), mas que "o que nós vamos fazer não está definido". Ela citou a lição de 2018 e 2019 sobre acompanhar os preços internacionais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse em entrevista publicada neste sábado (24) que "ninguém imaginou" que o petróleo chegaria ao fim de outubro cotado a cerca de US$ 116 o barril. Neste sábado, o Brent estava a US$ 116,93. Segundo ela, o cenário das cotações mudou de forma drástica nos últimos 20 dias e a estatal começa a discutir como lidar com isso.
"Não está definido"
Chambriard afirmou que a empresa trata de um quadro "que não era previsível por nenhum dos analistas" que dão suporte à companhia. "Temos que fazer alguma coisa em relação a isso. O que nós vamos fazer não está definido", declarou. Ela disse que, quando o barril foi a US$ 120 em meados do ano, a expectativa era de queda e de uma guerra curta no Irã.
Lição de 2018 e 2019
A presidente disse que é preciso "colher os aprendizados" do passado. Para ela, o principal é que, ao perseguir "pari passu" os preços internacionais em 2018 e 2019, a empresa acabou "perdendo dinheiro e market share". Em 2019, a fatia da Petrobras no diesel caiu de 88% para 77% e, na gasolina, de 87% para 76%, diante da concorrência de importados. Ela também criticou a gestão da empresa no governo de Jair Bolsonaro por repassar imediatamente a volatilidade do petróleo às bombas.
Sobre os combustíveis, ela lembrou que a empresa costuma esperar 15 dias para avaliar a tendência após os ataques ao Irã, de 28 de fevereiro. Em 12 de março, a Petrobras buscou aumentar o preço do diesel, e o governo decidiu subsidiar o produto. "Entendemos que foi suficiente", disse. Desde então, afirmou, houve "volatilidade imensa".
Guerra, frete e investimentos
A presidente atribuiu parte da alta à guerra entre Estados Unidos e Irã, que, segundo ela, causou destruição de capacidade de refino no mundo, salto no spread do diesel e disparada do preço do frete, com rotas de navegação impedidas. Disse ainda que o quadro ameaçou a segurança energética e que a Petrobras precisa produzir mais petróleo.
Ela afirmou que a Bacia da Foz do Amazonas pode ter duas plataformas e que 40 projetos para ampliar a capacidade de unidades de produção no pré-sal e no pós-sal devem manter o ritmo de produção. Os detalhes estarão no próximo Plano de Negócios, que, segundo ela, deve prever investimentos maiores que os atuais.
Investidores
Chambriard disse que grandes fundos globais querem previsibilidade. Dos 16 grandes fundos que investem na Petrobras, segundo ela, 13 recomendam a compra das ações e os demais oscilam entre compra e neutro.
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31/10/2026






