Polícia Federal deflagra operação contra fraudes no registro de armas de CACs
Ação cumpre dezenas de mandados em cidades do Rio de Janeiro e no Espírito Santo para combater irregularidades em aquisições.

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta sexta-feira para desarticular um esquema de fraudes em procedimentos administrativos de aquisição e registro de armas. Os agentes cumpriram ordens judiciais voltadas a alvos investigados por burlar regras destinadas a Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores. A ofensiva policial ocorreu em diferentes municípios do estado do Rio de Janeiro e também na cidade fluminense de Vila Velha, localizada no Espírito Santo. O trabalho investigativo busca responsabilizar integrantes de uma rede criminosa especializada na liberação ilegal de armamentos.
A Operação Polaridade mobilizou equipes policiais para o cumprimento de 20 mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas. Durante as diligências realizadas pelas equipes em campo, onze pessoas foram formalmente presas em flagrante delito. Os policiais também apreenderam armas de fogo, incluindo fuzis e pistolas, que estavam sob a posse dos investigados. As equipes policiais continuam em diligências contínuas para localizar e prender os demais suspeitos que ainda seguem foragidos.
As apurações policiais começaram após a identificação de inconsistências graves em processos analisados na Delegacia de Polícia Federal em Niterói, situada na região metropolitana do Rio. O material examinado revelou que um colaborador terceirizado, vinculado ao Núcleo de Armas, aprovava requerimentos sem a documentação obrigatória. Havia também solicitações instruídas com documentos falsos ou totalmente incompatíveis com as exigências previstas na legislação vigente. A auditoria constatou a repetição de arquivos entre requerentes distintos, além do uso de comprovantes de residência falsificados.
Esquema de fraudes e repercussão policial
O avanço das investigações revelou que as falhas documentais iam muito além de simples erros formais na análise dos pedidos. A polícia detectou conexões diretas entre alguns dos requerimentos fraudulentos analisados pelo colaborador e armamentos que acabaram apreendidos em ações policiais anteriores. Essa constatação indicou o abastecimento do mercado ilegal por meio de brechas administrativas controladas pelo esquema. As irregularidades ameaçavam diretamente os controles estatais sobre o armamento nas mãos de civis.
Os investigados envolvidos no caso poderão responder perante a Justiça por diversos crimes graves identificados durante o inquérito. Entre as tipificações penais apontadas pela investigação constam organização criminosa, inserção de dados falsos em sistema de informações da Administração Pública e corrupção passiva. Também foram incluídos nos registros policiais os crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e comércio ilegal de armas de fogo. A lista de acusações ainda poderá ser ampliada caso novos elementos surjam com o avanço das apurações.
A operação policial demonstra o esforço contínuo dos órgãos de segurança para fechar o cerco contra o desvio de armamentos destinados a categorias específicas. As autoridades federais mantêm o foco na fiscalização rigorosa dos cadastros para impedir novas brechas no sistema de controle. As diligências prosseguem nos próximos dias para garantir a total elucidação dos fatos e a responsabilização judicial de todos os envolvidos no esquema.
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