PF pede ao STF novo inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro com advogado ligado ao caso INSS
O pedido, relatado por Alexandre de Moraes, apura a relação do senador e candidato à Presidência com o advogado Willer Tomaz. É a segunda investigação contra Flávio no Supremo. A defesa e a campanha ainda não se manifestaram.

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. O caso foi divulgado neste domingo (18), a uma semana do segundo turno. A defesa e a campanha do senador ainda não haviam se manifestado até a publicação das informações.
O que diz a investigação
Segundo a PF, o inquérito chegou ao STF há pelo menos uma semana e foi distribuído por sorteio. O relator é o ministro Alexandre de Moraes. O caso surgiu de provas colhidas em um inquérito da PF que tramitava na primeira instância, no Rio Grande do Sul, sobre plataformas de pagamento digital e o setor de apostas.
A PF diz ter identificado "elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato" de Willer Tomaz sobre a Rede Loto, primeira bet a obter autorização estadual, no Rio de Janeiro, para explorar apostas esportivas. Willer também é investigado por suposto envolvimento em fraudes no INSS. Após a análise da nuvem do celular dele, os investigadores encontraram referências a Flávio Bolsonaro, que tem foro privilegiado, e o caso seguiu para o Supremo.
Vínculos apontados pela PF
De acordo com a PF, o material analisado indica proximidade entre o advogado e o senador, com registros de festas, encontros e reuniões, pagamentos de viagens ao parlamentar e documentos pessoais de Flávio no iCloud de Willer. A PF afirma ainda que Flávio tinha acesso como "usuário master" a uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. O pedido de exclusão desse acesso ocorreu em maio de 2025.
A corporação também registra que uma das contas do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 e diz ser necessário aprofundar a origem e o destino dos recursos.
Voos para a Europa e resposta de Flávio
Na sexta-feira (16), uma empresa de apostas de propriedade de Willer foi apontada como intermediária na compra de passagens aéreas de Flávio para a Europa em 2025, em viagens de caráter pessoal que teriam envolvido as famílias dos dois. Questionado sobre as viagens, o senador afirmou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.
Segundo inquérito no Supremo
Este é o segundo inquérito em que Flávio é investigado no STF. O primeiro apura o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, com possível prática de lavagem de dinheiro e corrupção. Esse caso tramita sob relatoria do ministro André Mendonça. Em entrevistas, o senador sempre afirmou que se tratava de patrocínio privado.
A campanha de Flávio foi procurada por e-mail e WhatsApp e não respondeu até a publicação das informações. O espaço segue aberto.
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31/10/2026






