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CASO MASTER

PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 por crimes financeiros em venda de carteiras ao banco público

A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre o Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas, entre elas o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. As defesas ainda não se manifestaram.

Redação MNEconomia3 min de leitura
PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 por crimes financeiros em venda de carteiras ao banco público
Foto: Reprodução

A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (28) o primeiro inquérito sobre irregularidades envolvendo o Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeita de crimes financeiros. O relatório, de cerca de 700 páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O que a PF apurou

O inquérito, parte da Operação Compliance Zero, trata da venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Master ao BRB (Banco de Brasília), banco público do Distrito Federal. Segundo a PF, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões dos ativos repassados, principalmente pela fabricação de falsas carteiras de crédito consignado.

A cessão de créditos ocorreu entre julho de 2024 e outubro de 2025 e, de acordo com o relatório, continuou por um mês depois que o Banco Central barrou a venda do Master ao BRB. O documento afirma que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos.

Quem foi indiciado

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro de investidor em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas dos crimes vão de 12 a 41 anos de prisão. A PF aponta o banqueiro como líder da organização criminosa e diz que a participação dele foi pessoal, reiterada e diretiva na obtenção de bases de dados, na formação e cessão das carteiras e na captação de recursos junto ao BRB.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. Para a PF, as sucessivas aprovações de investimentos pelo banco contribuíram para manter e ampliar as operações mediante postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos. O relatório ressalva que a conclusão definitiva sobre cada diretor depende do conteúdo entregue antes de cada votação, do tempo disponível para análise e das atribuições funcionais de cada um.

Entre os demais indiciados estão Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, Ângelo Ribeiro, ex-diretor financeiro, Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance, e Alberto Félix de Oliveira, ex-superintendente financeiro, além de outros ex-diretores do Master e do BRB.

Defesa

As defesas de Vorcaro e de Paulo Henrique Costa ainda não se manifestaram sobre o indiciamento. Em depoimentos prestados na semana passada, os dois afirmaram que a operação entre os bancos não causou prejuízo e seria benéfica para as instituições. A PF diz que a versão apresentada por Vorcaro contrasta com os elementos reunidos no relatório.

O indiciamento é uma conclusão da investigação policial e não representa condenação. Cabe agora ao STF e ao Ministério Público analisar o relatório.

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