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PARAGUAI

Presidente da Câmara do Paraguai convoca sessões extraordinárias para analisar pedido de impeachment de Peña

Oposição culpa o governo pela crise do Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. Peña ainda não se pronunciou sobre o processo.

Redação MNMundo2 min de leitura
Presidente da Câmara do Paraguai convoca sessões extraordinárias para analisar pedido de impeachment de Peña
Foto: Reprodução

O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, convocou para esta quinta-feira (5) duas sessões extraordinárias para analisar moção de impeachment contra o presidente Santiago Peña e contra o vice-presidente Pedro Alliana, ambos do Partido Colorado. Os pedidos foram apresentados na quarta-feira (4) por 35 parlamentares da oposição, em uma Casa de 80 cadeiras.

A acusação

A oposição responsabiliza o governo pela crise do Ueno Bank, banco digital cujo colapso deixou cerca de 3 milhões de clientes, quase metade da população do país, sem acesso ao próprio dinheiro. Os parlamentares acusam Peña de conflito de interesses, manipulação de regras, uso indevido de recursos previdenciários e acobertamento institucional. Também apontam que o Banco Central teria encoberto irregularidades.

Peña é economista e assumiu o governo em 2023. Foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Para abrir o processo, é preciso o apoio de dois terços dos deputados. Ainda não está claro se a bancada governista apoiará a proposta.

A posição do governo

Peña não se pronunciou publicamente sobre o pedido de impeachment. Na quarta-feira, em publicação na rede social X, afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções, e pediu a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro. Ele também promulgou uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar o dinheiro mais rapidamente.

A crise bancária

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno depois de constatar descumprimento dos requisitos mínimos de solvência, e o banco fechou as portas na terça-feira (3). O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou. O Ministério Público ordenou investigação criminal e a detenção de oito dirigentes e ex-dirigentes do banco, entre eles o empresário Miguel Vázquez, e acusou formalmente 27 pessoas ligadas à instituição. A Justiça determinou o bloqueio dos bens dos acusados.

A Associação de Bancos do Paraguai informou que o sistema bancário continua operando normalmente.

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