Flórida recupera 163 crianças desaparecidas em operação que alcançou 12 países, entre eles o Brasil
A Operation Statewide Shield durou cinco dias e localizou menores de 2 meses a 17 anos em sete regiões do estado americano, em outros seis estados, em Porto Rico e em 12 países. As autoridades relatam três prisões e dizem que muitas das crianças sofreram abuso, negligência ou exploração.

Uma operação de cinco dias conduzida pelo estado da Flórida, nos Estados Unidos, localizou e recuperou 163 crianças e adolescentes desaparecidos, de 2 meses a 17 anos de idade. Batizada de Operation Statewide Shield, a ação foi apresentada pelas autoridades americanas como a primeira iniciativa estadual do tipo e a maior operação de recuperação de crianças já feita na Flórida.
O trabalho de campo aconteceu entre 17 e 21 de agosto, sob comando do Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE). O resultado foi anunciado em Tampa no dia 25 pelo procurador-geral do estado, James Uthmeier.
"Muitas dessas crianças foram vitimadas por quem se aproveita dos mais vulneráveis", disse Uthmeier no comunicado oficial, ao afirmar que os menores estão em segurança e recebendo atendimento. O comissário do FDLE, Mark Glass, resumiu a operação como uma missão única: encontrar as crianças e levá-las para casa.
Onde cada criança foi encontrada
O balanço oficial distribui as 163 recuperações por região: 46 na área de Tampa Bay, 41 em Miami, 32 em Jacksonville, 21 em Orlando, 12 em Fort Myers, oito em Pensacola e três na região de Tallahassee. As sub-operações se concentraram nessas sete cidades.
As diligências não pararam na fronteira do estado. Houve ações no Alabama, na Califórnia, em Ohio, Nova York, Carolina do Norte, Tennessee e no território de Porto Rico. Fora dos Estados Unidos, o comunicado lista 12 países: Brasil, Canadá, Colômbia, Dominica, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan.
Segundo as autoridades, muitas das crianças recuperadas tinham passado por algum nível de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas, incluindo tráfico de pessoas.
O que acontece depois do resgate
As crianças foram levadas por policiais locais a centros montados para recebê-las, onde encontraram profissionais de serviço social, equipes de proteção à infância, médicos e representantes especializados no atendimento a vítimas. Cada recuperação foi registrada no sistema estadual que controla casos de pessoas desaparecidas e em risco, para fechar formalmente as ocorrências.
Três prisões saíram junto com o balanço. Um dos detidos era procurado por três acusações de atos libidinosos com menor e ainda respondia a mandado por interferência em guarda. Outro é acusado de violência sexual contra vítima de 12 a 16 anos. O terceiro foi preso por interferir em disputa de guarda e resistir à abordagem policial. As autoridades disseram esperar novas prisões nos dias seguintes, e as investigações seguem abertas.
A operação foi montada a partir da experiência de duas ações anteriores comandadas pelos US Marshals, as operações Dragon Eye e Home for the Holidays. Além do FDLE, participaram a promotoria estadual, os departamentos estaduais de Crianças e Famílias e de Justiça Juvenil, organizações do terceiro setor e 13 gabinetes de xerife, somados a polícias municipais e parceiros federais.
O número que virou boato nas redes
O comunicado da Flórida não separa os casos por tipo de ocorrência, não informa a nacionalidade das crianças e não diz quantas foram localizadas em cada estado ou país. A lacuna alimentou nas redes sociais interpretações que o texto oficial não sustenta.
Não há no balanço qualquer afirmação de que as 163 fossem vítimas de tráfico humano, nem de que houvesse uma única rede criminosa internacional por trás dos casos. Parte das situações envolvia disputa de guarda, negligência familiar e adolescentes que tinham saído de casa por conta própria.
O fio que chegou ao Brasil
A presença do Brasil na lista de países levou a família de José Arthur Souza Barros, bebê de 1 ano e 6 meses desaparecido em 26 de março na zona rural de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, a procurar a Polícia Federal e pedir a comparação dos dados do menino com os das crianças encontradas nos Estados Unidos.
A resposta chegou em 9 de setembro: José Arthur não está entre os 163. Pelo que foi repassado à defesa da família, a verificação comparou fotografias e características físicas do menino, como formato do rosto, olhos, nariz e orelhas, sem encontrar correspondência. Nenhuma vítima brasileira foi identificada na operação americana.
O advogado da família, Elisson de Sousa Araújo, afirmou que a busca continua e protocolou pedido para incluir o nome do menino na difusão amarela da Interpol, o alerta internacional usado para procurar pessoas desaparecidas. No Pará, o inquérito corre na Delegacia de Homicídios de Marabá, com mais de 25 depoimentos colhidos e dois suspeitos que ficaram presos temporariamente entre abril e junho.
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