OMS aprova ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o ebola na epidemia do Congo
A Organização Mundial da Saúde recomendou incluir duas vacinas candidatas, uma de Oxford e outra da Moderna, nos testes em andamento na República Democrática do Congo. Ambas são específicas para a cepa Bundibugyo, que causou a epidemia atual.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou nesta quarta-feira (4) ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o ebola, em meio à epidemia que atinge a República Democrática do Congo (RDC). O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a jornalistas, em Genebra, na Suíça.
O que foi aprovado
No fim de outubro, teve início na RDC um ensaio com a Ervebo, vacina aprovada contra a cepa Zaire do vírus, a mais comum, mas não contra a variante Bundibugyo, responsável pelo surto atual. "Hoje, os grupos de especialistas da OMS recomendam acrescentar dois candidatos a vacina a esses ensaios", disse Tedros.
Os dois candidatos agem contra a cepa Bundibugyo. Um deles, o ChAdOx1, usa como vetor um adenovírus e foi desenvolvido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em colaboração com o Serum Institute of India. O outro, criado pelo grupo norte-americano Moderna, utiliza a tecnologia de RNA mensageiro. Para essa cepa, ainda não existe vacina nem tratamento homologado.
Números da epidemia
Segundo a Africa CDC, a epidemia já provocou 5.376 mortes, sendo 5.372 na RDC. Na RDC, a cepa Bundibugyo causou mais de 5.300 mortes em mais de cinco meses, em um total superior a 10.400 casos. As autoridades congolesas declararam oficialmente o surto em 15 de maio, embora especialistas concordem que o vírus já circulava no país meses antes de ser detectado.
Fora da RDC, foi detectado um caso na Nigéria e outros nove no Quênia em outubro, incluindo duas mortes. Uganda registrou 20 casos, um deles fatal, e foi declarado oficialmente livre do ebola pela OMS.
O pior surto anterior registrado na RDC, entre 2018 e 2020, deixou quase 2.300 mortos e 3.500 casos.
Outras medidas
Tedros afirmou que as vacinas são ferramentas poderosas, mas não substituem medidas já comprovadas. "As vacinas são ferramentas poderosas, mas não substituem as medidas comprovadas que podem salvar vidas agora: atendimento precoce, rastreamento de contatos, isolamento, sepultamentos seguros e dignos e envolvimento das comunidades com base na confiança", declarou.
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