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SAÚDE DO BRASILEIRO

O que revela a pesquisa sobre a falsa percepção de saúde no país

Entenda por que a maioria se sente saudável apesar do sedentarismo e da obesidade

Redação MNTecnologia3 min de leitura
O que revela a pesquisa sobre a falsa percepção de saúde no país
Foto: Ministério da Notícia

Existe uma diferença marcante entre como o brasileiro avalia o próprio corpo e a realidade de seus exames. Uma nova pesquisa nacional mostra que mais da metade da população se considera saudável, mas carrega fatores de risco importantes para doenças graves. O levantamento busca entender como o cotidiano e os hábitos alimentares influenciam o bem-estar a longo prazo. O estudo foi realizado em conjunto pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. A coleta de informações ocorreu por meio de entrevistas presenciais com 2.015 pessoas com idade a partir de 16 anos, abrangendo os 27 estados do país. Os dados revelam que o maior perigo reside justamente naquilo que o indivíduo não percebe no dia a dia.

Fatores de risco invisíveis na rotina

O levantamento aponta que 59% dos entrevistados consideram a própria saúde ótima ou boa. No entanto, 63% estão acima do peso e 42% não praticam nenhuma atividade física. Entre aqueles que dizem se exercitar, a frequência é baixa, com média de 2, 4 dias por semana. Além disso, 26% da amostra apresenta obesidade, segundo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS). O excesso de peso e o sedentarismo figuram entre os principais gatilhos para o desenvolvimento de tumores malignos. O consumo de álcool também entra na conta dos riscos silenciosos monitorados pelo levantamento. Embora 58% afirmem não beber, 30% consomem bebidas alcoólicas de um a dois dias por semana, e 5% bebem de cinco a sete dias semanalmente. O álcool é classificado pela OMS como substância cancerígena, associada a tumores de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. O paradoxo se manifesta no fato de que 64% dos entrevistados que consomem álcool com maior frequência avaliam a própria saúde como ótima ou boa. Essa sensação de bem-estar social e de relaxamento faz com que o indivíduo confunda momentos de lazer com ausência de doenças. A pesquisa demonstra que a alimentação saudável enfrenta barreiras ligadas à renda e ao tempo disponível. Enquanto 66% consomem alimentos frescos seis dias ou mais por semana, o preço alto de itens como carnes, frutas e vegetais afeta 29% dos que não conseguem comer adequadamente. A falta de tempo e o cansaço da rotina aparecem como obstáculo para outros 21%. O impacto do custo é desigual, atingindo 40% de quem ganha até um salário mínimo, enquanto na faixa acima de cinco salários mínimos o problema se desloca para a falta de tempo. Os dados completos servem para orientar políticas públicas e campanhas de conscientização sobre prevenção oncológica.

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