O que é o Escudo das Américas e o que está por trás da coalizão
Entenda os objetivos reais da aliança liderada pelos Estados Unidos na América Latina e a disputa geopolítica com a China.

O Escudo das Américas é uma coalizão internacional criada em março deste ano e liderada pelos Estados Unidos. A iniciativa reúne quinze países da América Latina com o objetivo oficial de combater o narcotráfico na região. No entanto, especialistas em relações internacionais apontam que o combate às drogas funciona como pretexto para interferências políticas. A estratégia busca barrar a influência econômica da China na América Latina e alinhar os países sul-americanos aos interesses norte-americanos. A coalizão é formada atualmente por Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Especialistas classificam a medida como uma tentativa de anexação colonial voltada para disputas comerciais e tecnológicas. A política também visa legitimar a presença física de tropas americanas na região sob o argumento de segurança.
Como funciona a coalizão e a proposta na OEA
Os quinze países integrantes divulgaram um documento conjunto às margens da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. No texto, o grupo classificou vinte e quatro grupos narcotraficantes como terroristas, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A coalizão pretende agora levar a proposta para dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA). A intenção é convocar uma reunião formal do Órgão de Consulta para adotar uma resolução que promova ação coletiva contra organizações narcoterroristas. Para isso, o grupo pretende utilizar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), assinado em 1947 no contexto da Guerra Fria. O tratado estabelece que a agressão a um Estado americano constitui agressão a todos os demais membros.
Além do combate às drogas, o documento da coalizão inclui diretrizes de cooperação econômica e proteção de cadeias de suprimento de minerais críticos. Esses minerais são insumos centrais na indústria de tecnologia, defesa e transição energética, representando o foco da disputa comercial entre Washington e Pequim. O bloco também defende regulamentações para fornecedores de infraestrutura digital e regras para compras de armamentos militares. Para o governo brasileiro, que não foi convocado para integrar o grupo e adota postura de cautela, a iniciativa pode forçar alinhamentos automáticos no campo econômico. A próxima etapa aguardada por Brasília é a apresentação formal da proposta na OEA para avaliar se apoiará ou rejeitará uma eventual resolução do organismo internacional.
Leia também
- PIX E EUROPA
Como pode funcionar a ligação entre o Pix e o sistema europeu
Bancos centrais do Brasil e da Europa iniciam estudos para pagamentos internacionais mais rápidos e baratos.
há 23 horas
- VOLTA ÀS AULAS EM GAZA
Alunos retomam aulas presenciais em Gaza após quase três anos
Milhares de estudantes voltam às escolas em tendas e prédios danificados enquanto restrições de importação elevam preços de material.
23/09/2026
- DISCURSO NA ONU
Lula defende soberania nacional e rejeita interferência estrangeira na ONU
Presidente criticou tentativas de influência externa na América Latina e alertou sobre riscos do negacionismo e da desinformação durante a Assembleia Geral.
23/09/2026






