Milton Leite é indiciado por organização criminosa; Polícia Civil aponta PCC em 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o PCC no transporte público da capital paulista, indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal e pediu a prisão preventiva dos indiciados.

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) foi indiciado pela Polícia Civil por organização criminosa, após a conclusão do inquérito que investiga a infiltração do PCC no setor de transporte público da capital. A polícia também pediu a prisão preventiva de Leite e dos demais indiciados. Ele está preso no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos.
O que aponta o relatório
Segundo o relatório final da Polícia Civil, 12 das 22 empresas que operam o sistema de ônibus da cidade estão sob controle direto ou influência indireta da facção. O documento afirma que "mais da metade das empresas operando o transporte público da maior cidade da América Latina" estaria sob controle direto ou influência indireta do crime organizado.
Outros 15 alvos da Operação Vectura Corrupta também foram indiciados por associação e organização criminosa. Entre eles estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), e Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
O papel atribuído a Leite
A polícia o descreve como uma das figuras centrais do esquema e diz haver a suspeita de que ele seja o verdadeiro dono da Transwolff, enquanto os diretores da empresa atuariam como seus representantes. O relatório cita mensagens que, segundo a investigação, mostrariam influência dele sobre dirigentes da empresa. Para justificar o pedido de prisão, a polícia aponta que ele teria ocultado e destruído provas, além de alto poder econômico e influência política.
Defesa
Em depoimento à polícia, Leite negou ter participação societária, direta ou indireta, em empresas de transporte e disse não conhecer os integrantes da facção citados. Segundo ele, as conversas com empresários e com representantes da SPTrans ocorreram em razão do mandato parlamentar. Procurada, a defesa não se posicionou até a última atualização das informações.
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