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ELEIÇÕES 2026

Mauro Vieira diz que governo Trump "tomou parte" na eleição brasileira e critica "faxina" no Itamaraty

O chanceler afirmou que representantes do governo dos EUA "tomaram um lado" no pleito, mas disse que cabe aos eleitores decidir nas urnas se houve interferência. Ele também criticou a ideia de uma "faxina" no Itamaraty.

Redação MNPolítica2 min de leitura
Mauro Vieira diz que governo Trump "tomou parte" na eleição brasileira e critica "faxina" no Itamaraty
Foto: Reprodução

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira (21) que representantes do governo de Donald Trump "tomaram parte" nas eleições brasileiras. A declaração foi dada a poucos dias do segundo turno, que opõe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

O que disse o chanceler

Questionado se houve ingerência concreta do governo norte-americano no pleito, Vieira respondeu: "Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens".

O ministro disse, porém, que cabe ao povo brasileiro decidir se considera que houve interferência. "Os brasileiros é que vão mostrar o que querem fazer nas urnas, que modelo estão procurando, o que consideram que é interferência, o que é intromissão e o que não é", afirmou.

Crítica à "faxina" no Itamaraty

Vieira também comentou a declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que disse que, se o irmão Flávio for eleito, haverá uma "faxina" no Itamaraty. "É péssimo. Primeiro, porque não é a forma de se atuar. Em uma democracia, você não ameaça. Você dialoga, conversa, negocia", disse o chanceler.

Segundo o ministro, ameaças de transferir embaixadores e de mudar as regras do serviço exterior, feitas por aliados de Flávio, seriam uma tentativa de "destruir" o Itamaraty. Sobre Eduardo Bolsonaro, afirmou: "Eu tenho mais o que fazer. Eu não o conheço, não sei o que ele fala. Um sujeito que pede terra arrasada, que pede tarifa e tudo mais".

Equipe de transição com os EUA

O chanceler mencionou ainda a carta enviada a Flávio pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em resposta a uma mensagem do senador. No documento, Rubio manifesta otimismo em relação às eleições de outubro e agradece a oferta de Flávio de colocar uma equipe de transição à disposição do governo norte-americano, caso seja eleito.

Para Vieira, a iniciativa é inédita. "Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa. Você faz transição entre o governo que deixa e o governo que assume. Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal", declarou.

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