Marinho diz que Flávio Bolsonaro se "exilou" para evitar prisão, mas reconhece que não há ordem de prisão contra o senador
Coordenador da campanha do PL afirmou que Flávio não tinha condições de permanecer no país. Ele admitiu que não existe mandado de prisão e questionou o pedido de apreensão do passaporte.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira (28) que o candidato derrotado precisou deixar o Brasil e se "exilar" nos Estados Unidos para preservar a liberdade e evitar uma eventual prisão. Marinho reconheceu, porém, que não há ordem de prisão contra Flávio.
A declaração
"Politicamente, ele não tem condições de continuar no Brasil sob pena de ser preso pelo simples fato de ter ousado ser candidato", disse Marinho a jornalistas no Senado. Ele classificou Flávio como "exilado político" e afirmou que a saída do país não foi uma escolha. "A ele não restou outra opção para manter a sua integridade física, a sua liberdade e a sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado", declarou.
Marinho disse ainda que a situação é "muito estranha" e questionou a intimação para que Flávio entregasse os passaportes. Segundo ele, o indício citado no inquérito remete à investigação da Polícia Federal sobre o advogado Willer Tomaz. A PF encontrou e-mails indicando que Flávio havia sido cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, ligada a Willer. Marinho afirmou que a informação sobre a conta foi apresentada ao ministro responsável e à PF.
O que aconteceu antes
Na segunda-feira (26), a PF intimou Flávio a entregar os passaportes em 24 horas, em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O senador não entregou os documentos. Na terça-feira (27) deixou o país e chegou à Flórida na manhã desta quarta.
O pedido de apreensão do passaporte foi feito sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral declarar o resultado do segundo turno, às 21h09 de 25 de outubro. Lula (PT) teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.
Presidência do Senado
Marinho também comentou a possível candidatura à Presidência do Senado. O PL deve discutir o assunto em reunião convocada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, na próxima quarta-feira (4 de novembro). Segundo o senador, se a candidatura for oficializada, ele defenderá a independência entre os Poderes e o cumprimento da Constituição.
Até a publicação, não havia manifestação do ministro Alexandre de Moraes ou da Polícia Federal sobre as declarações de Marinho.
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