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POLÊMICA NA CAMPANHA

Fala de Lula sobre mulheres e "toque" em comício vira alvo da oposição e chega ao TSE

Em Belém, o presidente comparou a resistência dos homens ao exame de próstata com os cuidados médicos das mulheres. Oposição associou a frase à infância; TSE mandou Nikolas Ferreira apagar vídeo.

Redação MNPolítica4 min de leitura
Fala de Lula sobre mulheres e "toque" em comício vira alvo da oposição e chega ao TSE
Foto: Ministério da Notícia

Uma frase dita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um comício em Belém, no Pará, virou o centro de uma disputa nas redes e na Justiça Eleitoral a poucos dias da eleição. Ao falar sobre câncer de próstata, Lula afirmou que "as mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena". Políticos da oposição ligaram a declaração à infância e a crimes contra crianças. A campanha do petista diz que a fala foi tirada de contexto, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apagar um vídeo sobre o assunto.

O que Lula disse

O discurso foi feito na segunda-feira (28), no ato "Lula em Belém: O Brasil Pronto Pra Mais", na Praça da República. O presidente citou a morte da mãe, vítima de câncer aos 65 anos, e comemorou a primeira cirurgia robótica de próstata realizada no Pará e na região Norte.

Em seguida, criticou a resistência masculina ao exame preventivo. "O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque, sabe? As mulheres aprendem tomar toque desde quando é pequena. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que quando ele tiver câncer de próstata vão dar muito toque nele", disse.

A reação da oposição

O trecho passou a circular isolado nas redes a partir de terça-feira (29). Nikolas Ferreira publicou um vídeo em que interpreta a frase como referência a meninas e diz que a declaração poderia ser ouvida por "um pedófilo". "Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula!!!!", escreveu o deputado.

Outros parlamentares seguiram a mesma linha. Marcel van Hattem (Novo-RS) chamou a fala de "asquerosa". Júlia Zanatta (PL-SC) disse que "o desrespeito com as mulheres chegou a um nível absurdo". A ex-deputada Janaina Paschoal afirmou que a declaração "corrobora a pedofilia", e o PL publicou uma crítica própria no X.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, foi além das redes: apresentou uma comunicação de fato à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher da Polícia Civil do Distrito Federal pedindo o registro das declarações do presidente.

O que diz o governo

A campanha de Lula afirmou em nota que o presidente se referia aos exames ginecológicos preventivos, que fazem parte da rotina de saúde da mulher desde jovem, em contraste com a resistência dos homens aos exames urológicos. O texto acusa adversários de distorcer a frase para desviar a atenção das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro.

O próprio Lula comentou o caso na terça. "Eu estava contando a história que o homem tem dificuldade de fazer exame para saber se tem câncer de próstata. Tem um monte de preconceito. Eu estava contando isso e eu quis fazer uma comparação como é que as mulheres são corajosas, porque as mulheres fazem exames e não têm medo de fazer exame", declarou.

A Secretaria de Comunicação da Presidência classificou como falsa a associação com crimes contra crianças e lembrou que o presidente sancionou leis que ampliam a proteção de crianças e adolescentes e endurecem as penas para exploração sexual.

A decisão do TSE

Nesta quarta-feira (30), a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu em parte a um pedido da coligação Brasil Pronto Pra Mais e deu 24 horas para Nikolas apagar o vídeo publicado no X. A decisão também proíbe que o deputado republique o conteúdo ou versões parecidas, e notifica a plataforma para fazer a remoção.

Para a ministra, a publicação não se limitou a criticar a forma como Lula se expressou. Ela entendeu que o vídeo tirou a frase do tema da saúde pública e a apresentou como se o presidente estivesse normalizando crimes contra crianças. "A desinformação eleitoral não se limita à mentira integralmente fabricada. A distorção também pode decorrer da maneira pela qual uma informação é apresentada", escreveu.

A decisão é liminar e ainda será levada ao plenário do TSE. Até a publicação desta matéria, Nikolas Ferreira não havia se manifestado sobre a ordem.

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