Lula disputa quarto mandato presidencial aos 80 anos após trajetória de vitórias
Petista busca reeleição em 2026 após governar o país em três ocasiões e consolidar histórico que vai do sindicalismo no ABC paulista ao terceiro mandato no Planalto.

Luiz Inácio Lula da Silva disputa a Presidência da República em 2026 em busca de seu quarto mandato no Palácio do Planalto. Aos 80 anos, o atual presidente tenta a reeleição quase quatro décadas depois de concorrer pela primeira vez ao cargo máximo do Executivo federal. O político do Partido dos Trabalhadores (PT) é o único líder na história do país a vencer três eleições presidenciais. Ele foi eleito nos pleitos de 2002, 2006 e 2022, após ter sido derrotado nas disputas de 1989, 1994 e 1998.
Nascido em 27 de outubro de 1945 em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula é o sétimo filho dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu. Aos sete anos de idade, migrou com a família para o estado de São Paulo na carroceria de um caminhão pau de arara. Ele morou na periferia do Guarujá antes de se fixar na capital paulista, onde residiu com os parentes em um cômodo localizado nos fundos de um bar. Na juventude, trabalhou como engraxate e office boy até ser contratado pela Fábrica de Parafusos Marte. Formou-se torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e perdeu o dedo mínimo da mão esquerda aos 17 anos em um acidente de trabalho.
A entrada de Lula na atividade metalúrgica o levou para a Indústria Villares, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ele ingressou no movimento sindical por influência de seu irmão José, apelidado de Frei Chico. Ao longo dos anos, ocupou as funções de suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Sua projeção nacional ocorreu durante a liderança das grandes greves operárias que paralisaram o parque fabril do ABC durante a ditadura militar. Em razão dos protestos, o dirigente permaneceu preso por 31 dias em 1980 com base na Lei de Segurança Nacional.
Ainda em 1980, Lula participou da fundação do PT ao lado de lideranças sindicais, religiosas, intelectuais e movimentos sociais rurais. Sua segunda esposa, dona Marisa Letícia, com quem foi casado até a morte dela em 2017, costurou a primeira bandeira da agremiação. Lula disputou sem sucesso o governo de São Paulo em 1982 e foi eleito deputado federal em 1986, integrando a Assembleia Nacional Constituinte que promulgou a Carta Magna de 1988. Na eleição direta de 1989, perdeu a disputa no segundo turno para Fernando Collor de Mello, que renunciou ao cargo em 1992 durante processo de impeachment. Em seguida, foi derrotado em 1994 e 1998 por Fernando Henrique Cardoso, impulsionado pelo Plano Real.
Chegada à Presidência e mandatos
A vitória inaugural de Lula na corrida pelo Planalto ocorreu em 2002, quando somou 52,7 milhões de votos e superou José Serra no segundo turno. Empossado em 1º de janeiro de 2003 como o primeiro presidente operário, estabeleceu como foco a redução da pobreza e lançou iniciativas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni. Quatro anos depois, foi reeleito contra Geraldo Alckmin com 58,2 milhões de votos, expandindo ações com o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No plano internacional, foi elogiado por chefes de Estado, entre eles o presidente norte-americano Barack Obama. Ele encerrou o segundo mandato em 2010 com 87% de aprovação popular e apoiou a eleição de sua sucessora, a ex-ministra Dilma Rousseff.
O petista voltou a chefiar o Poder Executivo em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno com 60,3 milhões de votos (50,90% do total apurado). Em sua terceira gestão, reorganizou a Esplanada dos Ministérios para um total de 38 pastas, recriando a pasta da Cultura e instituindo os ministérios dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial. Casado atualmente com a socióloga Janja da Silva e pai de cinco filhos, ele enfrentou turbulências administrativas no período recente. Entre as crises do mandato esteve o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos indevidos em benefícios entre 2019 e 2024, episódio que resultou na substituição da presidência da autarquia e no indiciamento de ex-dirigentes.
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31/10/2026






