Juros futuros disparam mais de 260 pontos-base após a vitória de Lula, e B3 eleva limites de alta
As taxas dos contratos de DI subiram com força na manhã de segunda-feira, e a B3 ampliou os limites de alta em todos os vencimentos. A alta dos juros futuros não altera a Selic, definida pelo Copom.

As taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro), conhecidas como juros futuros, dispararam na manhã desta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Diante das oscilações, a B3 elevou, por comunicado, os limites de alta das taxas em todos os vencimentos.
Os números
Às 9h10 (horário de Brasília), a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2031 avançava 1,82 ponto percentual, para 14,46% ao ano, e a de janeiro de 2027 subia 0,52 ponto, para 13,983%. Às 9h58, o DI para janeiro de 2028 estava em 14,915%, alta de 206 pontos-base em relação ao ajuste de 12,859% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o contrato para janeiro de 2035 estava em 15,375%, com elevação de 263 pontos-base sobre 12,745%.
Por que subiram
O mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. Depois do primeiro turno, quando ele ficou à frente, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base, em meio à expectativa de maior ajuste nas contas públicas. Com a vitória de Lula, que teve 51,79% dos votos válidos contra 48,21%, essas apostas foram desfeitas, e os investidores passaram a aguardar a definição da equipe econômica e de medidas para conter o crescimento da dívida.
Tesouro cancela leilões
O Tesouro Nacional informou na manhã de segunda o cancelamento do leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e do leilão de prefixados na quinta-feira. Foi mantido o leilão de LFTs (títulos indexados à Selic) previsto para terça. Ao cancelar, o Tesouro busca não estimular taxas ainda mais elevadas.
O que muda
A alta dos contratos não altera a taxa básica de juros: a Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Os juros futuros oscilam no pregão conforme investidores compram e vendem contratos. Taxas maiores podem encarecer a captação de empresas e o crédito, e títulos prefixados tendem a perder valor de mercado quando os juros sobem, o que pode gerar perdas a quem vende antes do vencimento.
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31/10/2026






