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MERCADO

JPMorgan projeta queda de cerca de 20% do Ibovespa e dólar a R$ 5,50 após a reeleição de Lula

Em relatório após o segundo turno, o banco diz que o resultado contrariou pesquisas e mercados de apostas e prevê forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26).

Redação MNEconomia2 min de leitura
JPMorgan projeta queda de cerca de 20% do Ibovespa e dólar a R$ 5,50 após a reeleição de Lula
Foto: Reprodução

O JPMorgan avalia que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais deve provocar uma forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26). Em relatório divulgado após o segundo turno, o banco afirma que o resultado contrariou as pesquisas mais recentes e os mercados de apostas, que atribuíam cerca de 75% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro. Lula venceu por 51,79% a 48,21% dos votos válidos.

Bolsa e câmbio

Segundo o banco, o mercado havia incorporado um cenário de mudança de rumo econômico e deve reagir de forma negativa e expressiva. Os estrategistas estimam que o Ibovespa possa recuar cerca de 20% nos próximos dias. O múltiplo preço/lucro projetado da bolsa, que fechou a sexta-feira em 9,7 vezes, poderia cair inicialmente para 8,3 vezes (queda de cerca de 14%) e depois se aproximar de 7 vezes (desconto próximo de 28%).

No câmbio, o JPMorgan trabalha com um cenário em que o dólar chegaria a R$ 5,50, desvalorização próxima de 10% do real em relação aos níveis recentes. Ainda assim, o banco reduziu a recomendação para o real a neutra, por causa do elevado custo de manter posições compradas em dólar.

Circuit breakers, juros e crédito

O banco alerta para a possibilidade de acionamento dos circuit breakers da B3. Pelas regras da bolsa, uma queda de 10% interrompe os negócios por 30 minutos, e perdas de 15% e 20% podem gerar paralisações adicionais.

O JPMorgan espera que a curva de juros incorpore um prêmio de risco maior e não descarta reação do Banco Central para estabilizar os mercados. Nos títulos soberanos brasileiros no mercado internacional, rebaixou a recomendação de neutra para underweight (posição abaixo da média do mercado).

No crédito corporativo, manteve recomendação overweight para empresas de grau de investimento, mas reduziu para companhias de maior risco. Prefere exportadoras e empresas menos dependentes da economia doméstica, como Gerdau, Vale, Suzano e Embraer.

O que monitorar

Os estrategistas citam a reação da oposição ao resultado, a composição da nova equipe de governo e a resposta dos mercados. O movimento dependerá, segundo eles, dos sinais do presidente eleito e de sua equipe sobre as âncoras fiscais e o compromisso com a consolidação das contas públicas.

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