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ELEIÇÕES 2026

Indígenas do MS denunciam ameaças, racismo e suposto envenenamento de água após o segundo turno

A Apib e a deputada Célia Xakriabá levaram a autoridades relatos de intimidação a indígenas Terena e de suposta ameaça à água dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul. Três ministérios dizem atuar nas denúncias.

Redação MNPolítica2 min de leitura
Indígenas do MS denunciam ameaças, racismo e suposto envenenamento de água após o segundo turno
Foto: Reprodução

Povos indígenas de Mato Grosso do Sul denunciaram, nesta terça-feira (27), ameaças e episódios de discriminação depois do segundo turno das eleições presidenciais. As acusações foram feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pela deputada federal Célia Xakriabá (Psol).

O que dizem as denúncias

Segundo a Apib, indígenas Terena sofreram ameaças, intimidações e racismo dentro das próprias aldeias durante a votação. A entidade relata ainda que, em algumas situações, moradores foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias e que muitos foram chamados de "bugres", termo pejorativo historicamente usado contra povos originários.

Um dos áudios divulgados mostra um homem dizendo que indígenas não deveriam votar e falando em "mandar fechar a porteira" para que não saiam para a cidade e em cortar luz e água das comunidades.

A Apib diz repudiar as violações e exige investigação, com responsabilização dos envolvidos. "O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos", declarou a entidade.

Suposto envenenamento de água

Célia Xakriabá disse ter pedido a apuração de um suposto envenenamento da água no território dos Guarani Kaiowá, também em Mato Grosso do Sul. De acordo com a deputada, lideranças locais relataram ter sido vítimas do crime. Em um áudio de WhatsApp citado na denúncia, um dos envolvidos teria dito que é preciso "matar essas praga [sic] pela água".

Ela lembrou que os Guarani Kaiowá dependem de caminhões-pipa, o que torna a contaminação um risco à vida da população.

A denúncia foi encaminhada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral.

Posição do governo

Os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial informaram, em nota conjunta, que atuam para investigar denúncias de violência contra povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno. "É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas", diz o texto.

O governo de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Eleitoral do estado foram procurados, mas não haviam respondido até a última atualização.

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