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CONTAS PÚBLICAS

IFI diz que promessas de campanha pioraram as contas públicas e exigirão ajuste fiscal de cerca de 3% do PIB

A Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, estima desequilíbrio adicional de R$ 40 bilhões no Orçamento de 2027 com medidas anunciadas na campanha de Lula. O órgão pede um plano fiscal crível e o anúncio do comando da Fazenda.

Redação MNEconomia2 min de leitura
IFI diz que promessas de campanha pioraram as contas públicas e exigirão ajuste fiscal de cerca de 3% do PIB
Foto: Reprodução

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, avaliou nesta quinta-feira (29) que as medidas anunciadas durante a campanha pelo governo eleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agravaram a situação das contas públicas, já considerada delicada. A avaliação consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de outubro.

Os números da IFI

Segundo o levantamento, apenas o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação com as bets e o pacote voltado aos microempreendedores individuais (MEIs) representam R$ 40 bilhões de desequilíbrio adicional no Orçamento de 2027. A campanha também propôs estender o programa Pé de Meia ao ensino superior e isentar a tarifa de transporte coletivo nos fins de semana, por meio de proposta de emenda à Constituição.

A IFI projeta para este ano um déficit primário de cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com os novos compromissos, avalia que "é possível imaginar" um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB em 2027. O órgão estima ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB, o que implica um ajuste fiscal equivalente a cerca de 3 pontos do PIB.

O que recomenda o órgão

Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, afirmaram que "desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento" formam um nó que deve ser a tarefa número um do futuro governo. Segundo eles, sem ajuste fiscal consistente não haverá retomada relevante dos investimentos, crescimento acelerado ou geração de empregos de qualidade.

O órgão lembrou as turbulências no mercado financeiro após a eleição de Lula e avaliou que o anúncio, "o mais rápido possível", de um plano consistente e crível para os próximos quatro anos e de quem comandará o Ministério da Fazenda poderá acalmar investidores e ancorar as expectativas. Os textos lidos não trazem manifestação do governo eleito sobre o relatório.

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