Ibovespa cai 18,12% em uma semana após a reeleição de Lula, quinta maior queda semanal desde o Plano Real
O principal índice da B3 recuou em todos os cinco pregões depois do segundo turno, e o dólar acumulou alta de 9,03% no período. A perda de valor de mercado das empresas listadas chegou a R$ 873 bilhões, segundo levantamento da Elos Ayta.

O Ibovespa, principal índice da B3, acumulou queda de 18,12% na primeira semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), encerrada nesta sexta-feira (30). Foi a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O dólar comercial subiu 9,03% no mesmo intervalo.
Fechamento da sexta-feira
Nesta sexta, o Ibovespa caiu 0,75% e fechou aos 167.921,80 pontos, o quinto pregão seguido de baixa. O dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05%. Desde 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno, o dólar saiu de R$ 4,9931 para R$ 5,444.
A semana
A maior reação ocorreu na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O índice recuou 13,88%, e a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de oscilações acentuadas. O dólar avançou 8,21% naquele dia.
De acordo com a Elos Ayta, a desvalorização das ações reduziu em R$ 873 bilhões o valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3.
Comparação histórica
O levantamento aponta que a maior queda semanal do Ibovespa desde o Plano Real foi de 22,17%, na semana encerrada em 31 de outubro de 1997, durante a crise financeira asiática. Em seguida vêm a semana de 10 de outubro de 2008 (queda de 20,01%, na crise global agravada pela quebra do Lehman Brothers) e a de 20 de março de 2020 (18,88%, no início da pandemia de Covid-19). Com duas casas decimais, a perda desta semana iguala a registrada na semana encerrada em 14 de setembro de 2001, depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. Ao contrário dos quatro maiores tombos, ligados a crises internacionais, este foi desencadeado principalmente por um evento político doméstico.
O que dizem o governo e os analistas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a reação do mercado foi uma correção de posições. Segundo ele, os investidores haviam precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro, e o resultado das urnas levou a uma mudança nas apostas.
Para a Elos Ayta, parte dos investidores tinha incorporado aos preços a possibilidade de mudança na condução da política econômica, e a reeleição de Lula contrariou essa expectativa e elevou a percepção de risco fiscal. Analistas alertam para efeitos sobre a economia real em 2027.
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31/10/2026






