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ORÇAMENTO DE 2027

Governo prevê arrecadar R$ 636 bilhões com nova CBS em 2027

Projeto enviado ao Congresso traz as primeiras projeções de arrecadação dos tributos criados pela reforma tributária.

Redação MNEconomia3 min de leitura
Governo prevê arrecadar R$ 636 bilhões com nova CBS em 2027
Foto: Ministério da Notícia

O governo federal enviou nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional o projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027. O texto traz as primeiras projeções oficiais de arrecadação para os tributos criados durante a reforma tributária. A principal expectativa recai sobre a Contribuição sobre Bens e Serviços, que deve render R$ 636 bilhões aos cofres públicos no próximo ano. O tributo federal substituirá o PIS e a Cofins, além de assumir parte das funções exercidas atualmente pelo Imposto sobre Produtos Industrializados. Apesar de incluir a receita esperada no orçamento, a administração federal ainda não divulgou qual será a alíquota exata da nova contribuição. O percentual definitivo dependerá de uma metodologia específica aprovada pelo Tribunal de Contas da União e fixada posteriormente pelo Senado. A Receita Federal precisa enviar uma proposta de cálculo ao tribunal até o dia 14 de setembro. Em seguida, o órgão de controle terá prazo até 30 de outubro para analisar e homologar os números apresentados. Cabe ao Senado definir a alíquota de referência até 15 de dezembro para garantir a entrada em vigor das regras em janeiro de 2027. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o percentual não será estabelecido de forma direta pela pasta econômica. Segundo o representante, o cálculo considera a ampliação da base de contribuintes e a existência de diferentes regimes especiais previstos no texto constitucional.

Regras e transição tributária

A introdução do novo modelo ocorre de forma gradual até 2032, com vigência definitiva programada para 2033. O Imposto sobre Produtos Industrializados será zerado para a maior parte dos produtos, mas continuará incidindo sobre itens da Zona Franca de Manaus. Paralelamente, o governo planeja iniciar a cobrança do Imposto Seletivo em 2027, com previsão de arrecadar R$ 41,9 bilhões. Esse tributo incidirá sobre atividades e mercadorias consideradas prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como veículos, tabaco, bebidas e apostas. Somando a CBS e o Imposto Seletivo, a previsão total de arrecadação com os dois novos tributos chega a R$ 677,9 bilhões no período. A CBS e o Imposto sobre Bens e Serviços adotarão o sistema de Imposto sobre Valor Agregado, com cobrança não cumulativa. O modelo permite compensar o valor pago em etapas anteriores da cadeia produtiva para evitar efeitos em cascata. Além disso, a cobrança passa a ocorrer no destino, vinculando o tributo ao local de consumo e não mais à origem da produção. A mudança pretende reduzir disputas comerciais conhecidas como guerra fiscal entre os estados brasileiros. O projeto orçamentário também contempla outras fontes relevantes de recursos para o próximo ano. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que a exploração de recursos naturais deve render R$ 176 bilhões. O montante engloba os royalties arrecadados com a extração de petróleo. Já a receita prevista com o pagamento de dividendos ficará pouco acima de R$ 31 bilhões, valor inferior aos R$ 55,5 bilhões projetados para 2026. Nas contas do governo, o resultado primário efetivo alcançará um superávit de R$ 18,6 bilhões em 2027. Quando excluídas despesas específicas fora do arcabouço fiscal, o superávit projetado sobe para R$ 83,4 bilhões. O valor representa uma folga de R$ 10,2 bilhões em relação à meta fiscal oficial estabelecida para o período.

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