Governo dos EUA deve enviar nova proposta comercial ao Brasil
Equipe de Donald Trump prepara documento com escopo de negociação sobre tarifaço, informa Itamaraty após encontro em Milwaukee

Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulgaram uma nota nesta quarta-feira para informar que o governo dos Estados Unidos deve enviar nas próximas semanas uma nova proposta de negociação sobre o tarifaço aplicado contra produtos brasileiros. O anúncio ocorreu após os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa se reunirem em Milwaukee, nos Estados Unidos, com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. A conversa durou cerca de 40 minutos e contou com a participação das equipes técnicas dos dois lados durante a reunião ministerial de comércio do G20.
O documento esperado deverá contemplar questões tarifárias e não tarifárias para definir o escopo dos trabalhos bilaterais. Além disso, as delegações acordaram a criação de um Grupo de Trabalho dedicado exclusivamente a debater temas relacionados a um possível acordo comercial. Os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do país de buscar soluções por meio do diálogo, com foco na defesa dos interesses nacionais e na ampliação de oportunidades para os setores produtivos.
Negociações na OMC
O encontro recente deu continuidade ao diálogo de alto nível iniciado após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump ocorrido em 21 de agosto. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China, e as conversas buscam reverter o cenário de tarifas adicionais. O governo americano impôs taxas de 25 por cento sob a alegação de práticas desleais em áreas como Pix, etanol e propriedade intelectual, além de uma taxa de 12,5 por cento relacionada a falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Diante da avaliação de que os argumentos técnicos foram desconsiderados e de que as medidas tiveram caráter político, o Brasil abriu um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio. Representantes dos dois países também se reuniram na semana passada na sede da OMC em Genebra, o que abriu o prazo regulamentar de 60 dias para a busca de um consenso. Caso o prazo se esgote sem acordo, qualquer das partes poderá solicitar a abertura de um painel de julgamento na entidade internacional.
O governo da China pediu formalmente para participar do processo na OMC, mas os Estados Unidos manifestaram oposição à entrada chinesa no caso. O Brasil tenta ampliar a lista de produtos poupados das taxações adicionais em setores como carne, café, petróleo, terras raras e peças aeronáuticas. As tratativas ocorrem em paralelo a discussões diplomáticas mais amplas sobre soberania e comércio exterior mantidas pela gestão federal nas últimas semanas.
A próxima etapa depende do envio oficial da proposta documental por parte da Casa Branca dentro do prazo de semanas anunciado pelos diplomatas. Enquanto isso, o grupo de trabalho recém-criado deve estruturar as bases técnicas para as próximas rodadas de conversas entre Brasília e Washington. O governo brasileiro mantém a diretriz de negociar em bases bilaterais para buscar a reversão das barreiras comerciais impostas ao mercado nacional.
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31/10/2026






