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JUROS E ELEIÇÃO

Focus mantém Selic em 13,50% para 2026 sem incorporar 1º turno; fiscal do próximo governo pesa nos cortes

Boletim Focus de 5 de outubro manteve 13,50% para o fim de 2026 e 12% para 2027. Economista-chefe do Inter espera corte de 0,25 ponto no Copom e diz que o fiscal pesa mais que o nome no cargo.

Redação MNEconomia3 min de leitura
Focus mantém Selic em 13,50% para 2026 sem incorporar 1º turno; fiscal do próximo governo pesa nos cortes
Foto: Ministério da Notícia

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 5 de outubro, manteve a projeção do mercado para a taxa Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026, pela segunda semana seguida, e em 12% no fim de 2027, número que se repete há semanas. A pesquisa não incorporou o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.

Onde a Selic está hoje

A taxa básica está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) fez o quinto corte seguido, de 0,25 ponto percentual. Desde março, quando começou o ciclo de calibração, a queda acumulada é de 1,25 ponto. A próxima reunião do colegiado está marcada para 3 e 4 de novembro, com decisão no dia 4.

Para esse encontro, a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, espera mais um corte de 0,25 ponto percentual.

O que pesa é o fiscal

Na avaliação da economista, o que define a trajetória dos juros é a postura fiscal do governo, e não quem ocupa o cargo. Gastos maiores sustentam a demanda e pressionam os preços, o que dificulta o trabalho do Banco Central e pode levar a autoridade monetária a manter os juros altos por mais tempo.

O caminho inverso também vale: mais controle de despesas pode reancorar as expectativas de inflação e abrir espaço para cortes mais rápidos em 2027.

Inflação acima da meta

Com a inflação acima da meta, o espaço para cortes mais fortes na Selic fica menor.

O IPCA acumulado em 12 meses até agosto está em 4,22%, acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. O Focus projeta alta de 5,01% para 2026, após 4,99% na semana anterior, a terceira alta seguida, também acima da meta.

Crédito não cai na mesma proporção

Um alerta feito por analistas é que uma Selic menor não derruba o custo do crédito na mesma proporção. O preço final do empréstimo depende também do spread dos bancos, do risco do tomador e das garantias oferecidas. Setores que dependem de crédito, como varejo, construção e bancos, tendem a se beneficiar dos cortes, mas o efeito para o consumidor chega de forma gradual e parcial.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, e o Copom se reúne apenas depois da votação. Por isso, os sinais sobre a política fiscal do vencedor devem ser acompanhados de perto para saber se a projeção de 12% para a Selic em 2027 se confirma.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação. Quando fica mais alta, encarece o crédito e desestimula consumo e investimento. Quando cai, o efeito pleno leva meses para aparecer na economia real.

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