Estrangeiros colocam R$ 10 bilhões na bolsa em um dia após o 1º turno, maior entrada da série; brasileiros venderam
Saldo de R$ 10,06 bilhões de investidores de fora na B3 na segunda-feira (5) supera o recorde de abril. No mesmo pregão, pessoas físicas e fundos locais venderam R$ 9,3 bilhões. Ibovespa teve alta de 7,70%, depois recuou dois dias e sobe nesta quinta.

Investidores estrangeiros compraram, em saldo líquido, R$ 10,06 bilhões em ações na B3 na segunda-feira (5), primeiro pregão depois do primeiro turno da eleição presidencial. O dado, divulgado pela bolsa na quarta-feira (7), é o maior já registrado em um único dia na série acompanhada desde 2008 e supera em cerca de 20% o recorde anterior, de R$ 8,40 bilhões em 9 de abril deste ano. No ano, a entrada líquida de estrangeiros passou de R$ 29,95 bilhões para R$ 40,01 bilhões.
Quem vendeu
O dinheiro de fora comprou o que o investidor local vendeu. No mesmo pregão, pessoas físicas venderam R$ 5,30 bilhões em saldo líquido, a maior saída do grupo em 2026, e investidores institucionais brasileiros, como fundos, venderam R$ 3,96 bilhões. Segundo levantamento da Agência Estado com dados da B3, a pessoa física acumula no ano saída líquida de R$ 354 milhões.
A própria B3 lembra que o indicador mede o saldo entre compras e vendas de não residentes no mercado à vista. Ele pode refletir troca de posições dentro da bolsa, e não equivale a dinheiro novo entrando no país. O número sai com dois dias de atraso e pode ser ajustado.
O pregão
Na segunda-feira o Ibovespa subiu 7,70%, para 206.911 pontos, recorde de fechamento e maior alta diária desde março de 2020, com volume de R$ 103,3 bilhões. O dólar caiu 4,12%, para R$ 5,00. Na terça (6) o índice recuou 0,52%, para 205.835 pontos, e o dólar fechou a R$ 4,97, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio. Na quarta (7) a bolsa caiu 0,74%, para 204.302 pontos, com realização de lucros, juros altos nos Estados Unidos e queda da Vale. Nesta quinta (8), por volta das 14h20, o Ibovespa subia 1,79%, perto de 208 mil pontos, puxado pelo petróleo e pela Petrobras.
O que dizem os analistas
A leitura dominante no mercado liga a entrada ao resultado das urnas, com Flávio Bolsonaro (PL) em primeiro, com 47,03% dos votos válidos, e Lula (PT) com 45,16%, e à composição mais à direita do Congresso. Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, havia "a expectativa de uma forte entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira". Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, ponderou que "o investidor estrangeiro tem, hoje, pouca opção de alocação em emergentes". Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, citou "uma sensível melhora nas perspectivas" para a dívida pública.
Há ressalvas. André Matos, da MA7 Capital, afirmou que o "mercado precifica execução e não discurso", e que o risco está na distância entre o que foi precificado e o que será entregue. O Citi avaliou que a incerteza eleitoral "provavelmente persistirá até o segundo turno", marcado para 25 de outubro. A consultoria Elos Ayta observou que a coincidência com o calendário eleitoral "não permite atribuir todo o ingresso de recursos ao resultado das urnas". Na comparação com 2022, o primeiro pregão após o primeiro turno teve entrada de R$ 2,38 bilhões.
Contexto do ano
Apesar do recorde, o acumulado de 2026 está abaixo do ritmo do começo do ano: o primeiro trimestre somou cerca de R$ 53 bilhões, mas agosto teve saída de R$ 18,12 bilhões, com o pior dia do ano em 11 de agosto (R$ 4,72 bilhões de saída). Projeções de bancos sobre quanto ainda pode entrar variam muito conforme o método, de R$ 270 bilhões (Itaú BBA, somando estrangeiros e fundos locais) a cenários do Morgan Stanley que chegam a R$ 945 bilhões até 2027; são simulações, não previsões fechadas.
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31/10/2026






