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STF E ELEIÇÃO

Estadão diz em editorial que disputa interna no STF já interfere na eleição presidencial

Editorial do jornal O Estado de S. Paulo afirma que ministros do Supremo se dividem em grupos com interesse no resultado da eleição. O texto foi publicado após o cancelamento do último debate presidencial da TV Globo.

Redação MNPolítica4 min de leitura
Estadão diz em editorial que disputa interna no STF já interfere na eleição presidencial
Foto: Ministério da Notícia

O jornal O Estado de S. Paulo publicou na sexta-feira (2) um editorial com o título "Juízes fazem o diabo para ajudar Lula", no qual afirma que a divisão interna do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a interferir na eleição presidencial. O texto saiu a dois dias do primeiro turno, marcado para este domingo (4). Trechos do editorial passaram a circular em redes sociais, entre elas o perfil @4insiders no Instagram. O texto expressa a opinião do jornal e não traz fatos novos sobre a conduta dos ministros citados.

O que motivou o editorial

O editorial foi publicado um dia depois de a TV Globo cancelar o último debate entre candidatos à Presidência antes do primeiro turno, previsto para quinta-feira (1º). A emissora atribuiu a decisão à insegurança jurídica criada por duas decisões tomadas horas antes da transmissão. Na primeira, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a pedido do PT e proibiu a exibição do púlpito vazio do presidente Lula, que havia anunciado que não compareceria, e também vetou perguntas dirigidas a ele pelos demais candidatos. Na segunda, o ministro Gilmar Mendes, do STF, atendeu a pedido do Solidariedade e determinou a inclusão de Renan Santos, candidato do partido Missão, no debate.

Segundo o Estadão, as duas decisões alteraram regras que haviam sido aceitas pelas campanhas, e o jornal sustenta que existe uma "força-tarefa" no Judiciário voltada à reeleição de Lula. O editorial menciona a proximidade entre Estela Aranha e o ministro Flávio Dino e critica o fato de Gilmar ter decidido em sentido diferente de manifestações anteriores do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e da ministra Cármen Lúcia, que haviam negado pedidos para incluir Renan Santos. Os jornais O Globo e Folha de S.Paulo também publicaram editoriais críticos às decisões.

Os dois grupos apontados pelo jornal

Na parte do texto que circulou nas redes, o Estadão afirma que a reeleição de Lula interessa a um grupo de ministros formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. De acordo com o jornal, uma vitória de Flávio Bolsonaro fortaleceria outro grupo, composto por André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O editorial classifica a disputa como uma "guerra intestina" e diz que estão em jogo o controle do tribunal e a situação jurídica de ministros citados no caso Master, principalmente Moraes. O jornal relaciona essa disputa às vagas que o próximo presidente poderá preencher na Corte.

Pela regra constitucional, ministros do STF deixam o cargo ao completar 75 anos. Durante o mandato que começa em 2027, chegam a essa idade Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, no fim de 2030. Há ainda a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025. O indicado de Lula para essa vaga, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado em 29 de abril de 2026, por 42 votos a 34, e a cadeira segue sem titular, o que permite chegar ao número de quatro vagas citado pelo editorial.

O caso Master

O caso Master investiga fraudes atribuídas ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. No STF, o caso teve como relatores Dias Toffoli, que deixou a função em fevereiro de 2026, André Mendonça e, desde setembro, Edson Fachin. O nome de Moraes passou a ser citado por causa de um contrato milionário firmado em 2024 entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e de mensagens atribuídas a Vorcaro.

Moraes nega irregularidades. O ministro afirma que nunca julgou causa envolvendo o Banco Master, que não intercedeu a favor do banco e que o escritório da mulher prestou serviços regulares. Em 15 de setembro, o plenário do STF começou a discutir se o ministro deveria ser investigado, mas a sessão foi suspensa. Em editorial de 19 de setembro, o Estadão já havia afirmado que o conflito entre ministros poderia levar à anulação das investigações.

Até a publicação desta reportagem, o Ministério da Notícia não localizou resposta pública dos ministros citados nem do PT ao editorial. Ao justificar a liminar, Gilmar Mendes argumentou que a Globo havia tratado Renan Santos como candidato relevante em entrevistas durante a campanha e que excluí-lo do debate representava comportamento contraditório da emissora. Estela Aranha afirmou na decisão que destacar a ausência de um candidato pode produzir efeitos que vão além da informação. No horário em que o debate ocorreria, Lula participou de um podcast, no qual disse preferir debater apenas no segundo turno.

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