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CASO MASTER

Defesa de Vorcaro apresenta ao STF perícia que aponta manuseio do celular após a apreensão

Advogados do ex-banqueiro dizem que o aparelho foi manuseado depois de apreendido e pedem sua liberdade. A Polícia Federal não quis comentar.

Redação MNPolítica3 min de leitura
Defesa de Vorcaro apresenta ao STF perícia que aponta manuseio do celular após a apreensão
Foto: Reprodução

Os advogados de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, apresentaram nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal o resultado de uma perícia preliminar contratada pela defesa. O documento aponta supostas modificações no celular do investigado depois da apreensão, ocorrida em 17 de novembro de 2025.

O que diz a perícia

Segundo a defesa, o aparelho registrou 33 ativações da câmera frontal e três conexões pela saída USB depois de apreendido. Também haveria registros de senhas criados ou modificados entre 2h03 e 2h25, o que, de acordo com os advogados, não consta do termo de apreensão. Eles afirmam ainda que centenas de arquivos foram criados e modificados com o telefone já sob custódia do Estado, alguns deles com data seis meses posterior à extração do conteúdo, feita em 19 de novembro do ano passado.

"O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", diz a defesa em nota.

Os pedidos ao Supremo

Na petição, os advogados pedem que os dados brutos originais da extração sejam preservados sob custódia verificável, com registros técnicos da coleta, valores de hash e documentação completa da cadeia de custódia. Solicitam ainda registros fotográficos dos lacres da apreensão e o registro de posse e manuseio do aparelho entre a abordagem policial e a perícia.

A defesa sustenta que os pontos levantados implicam "necessariamente" o restabelecimento da liberdade de Vorcaro, pois, na avaliação dela, não é razoável que ele siga preso sem um exame mais profundo do conteúdo do telefone. Os advogados afirmam que o celular é a prova central da Operação Compliance Zero e dizem que Vorcaro não reconhece a veracidade de vários dos conteúdos vazados. O pedido também abre caminho para que a defesa questione, mais adiante, as provas da investigação.

Posição da PF

Procurada, a assessoria da Polícia Federal não quis se pronunciar sobre a acusação da defesa.

Contexto

Na quarta-feira (28), a PF concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Master e indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília). A Vorcaro são atribuídos os crimes de gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro, indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e participação em organização criminosa. O relatório da PF tem mais de 700 páginas e foi entregue ao Supremo.

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