Primeiro debate do segundo turno tem acusações e propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para economia, segurança e saúde
Em encontro marcado por interrupções e ataques pessoais, os candidatos apresentaram medidas sobre dívidas das famílias, crime organizado e SUS a uma semana da votação.

O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado neste domingo (18) pela Band, terminou com acusações de corrupção, ataques a familiares e cobranças sobre investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS. Houve interrupções, pedidos de direito de resposta negados e intervenções da mediadora. Nas considerações finais, a plateia gritou e assoviou, e a apresentadora Adriana Araújo pediu silêncio e que Flávio parasse de circular atrás de Lula.
Flávio chegou ao encontro depois de terminar o primeiro turno com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre Lula. O petista participa de debates presidenciais desde 1989, e a experiência anterior do senador nesse formato se limitava à disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016.
Economia
Flávio propôs que o governo compre dívidas de famílias e empresas junto aos bancos, com desconto, e conceda carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas. Ele disse que parcelas de R$ 100 a R$ 200 poderiam cair para R$ 20 ou R$ 30, e prometeu criar um Ministério da Prosperidade e ampliar o crédito para pequenos negócios.
Lula defendeu a valorização do salário mínimo, a ampliação do crédito e investimentos em indústria e tecnologia, e afirmou que a economia precisa crescer entre 4% e 5% ao ano para reduzir o peso do endividamento. Flávio responsabilizou o governo pelo endividamento das famílias, e Lula comparou os índices de inflação dos alimentos de sua gestão com os do governo Bolsonaro.
Segurança
Flávio prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, construir 500 mil vagas no sistema penitenciário e ampliar o uso de inteligência artificial no monitoramento de criminosos. Defendeu também reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes graves e a castração química de estupradores.
Lula citou a lei antifacção já aprovada, a aposta na PEC da Segurança Pública e a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à votação do Senado. Os dois divergiram sobre as saídas temporárias de presos: Flávio defendeu restrições, e Lula disse que detentos com bom comportamento devem ter acesso à ressocialização prevista em lei.
Saúde
Flávio prometeu levar o "padrão Einstein" ao SUS e disse ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde. Lula perguntou se o plano seria uma tentativa de privatização do SUS e criticou a condução da pandemia no governo de Jair Bolsonaro.
Política externa
Lula cobrou explicações sobre a relação da família Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e questionou se Flávio permitiria maior controle americano sobre minerais críticos brasileiros. A votação do segundo turno é no dia 25 de outubro.
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31/10/2026






