Situação de rua, dívida pública, contas do governo e recuperações judiciais: o que dizem os dados oficiais mais recentes
Números do CadÚnico, do Banco Central e da Serasa Experian mostram como quatro indicadores evoluíram desde dezembro de 2022, com as explicações e as ressalvas de cada fonte.

Sede do Banco Central, em Brasília. Foto de arquivo: Banco Central.
Quatro indicadores acompanhados por órgãos oficiais e por instituições privadas ajudam a entender a situação econômica e social do país: população em situação de rua, dívida pública, resultado das contas do governo e pedidos de recuperação judicial de empresas. A reportagem reuniu os dados mais recentes de cada fonte, com a série desde dezembro de 2022 e as ressalvas de metodologia que cada uma traz.
Situação de rua
O Cadastro Único (CadÚnico) registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2022 e 392,4 mil em junho de 2026, alta de 97,4%. Desde janeiro de 2023, a média foi de cerca de 4,6 mil novos registros por mês, mais que o dobro da média de 2019 a 2022, de cerca de 2 mil.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome atribui o aumento à fragilização de vínculos familiares, à violência, ao desemprego, a crises econômicas e a eventos climáticos extremos, e diz que o cadastro ficou mais eficiente. A pasta admite que pode ter havido subnotificação entre 2019 e 2022.
Os números são registros administrativos, e não um censo. O país prepara o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que deve trazer dados mais detalhados.
Dívida pública
A Dívida Bruta do Governo Geral, indicador do Banco Central que soma as dívidas dos governos federal, estaduais e municipais, chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, o maior nível em cerca de cinco anos. Um ano antes, em agosto de 2025, estava em 77,5%. Em dezembro de 2022, o índice era de 71,7% na série revisada. A divulgação original do Banco Central, em janeiro de 2023, havia apontado 73,5%, e a diferença vem da revisão da série. Para efeito de comparação, a dívida chegou a 86,9% do PIB em 2020, no auge da pandemia, e estava em cerca de 78% em 2021.
Contas públicas
O setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e estatais, teve superávit primário de R$ 126 bilhões em 2022, equivalente a 1,28% do PIB e o melhor resultado anual em reais desde 2011. Em 2021, o superávit havia sido de R$ 64,7 bilhões. Em 2024, o resultado foi um déficit de R$ 47,6 bilhões, e em 2025, um déficit de R$ 55 bilhões, ou 0,43% do PIB, segundo o Banco Central. Em 2025, o governo central teve déficit de R$ 58,7 bilhões, e os governos regionais, superávit de R$ 9,5 bilhões.
O resultado primário não inclui o pagamento de juros da dívida. Quando os juros entram na conta, o chamado resultado nominal é bem maior: em 2025, o déficit nominal foi de cerca de R$ 1,1 trilhão.
Recuperações judiciais
A Serasa Experian contou 833 pedidos de recuperação judicial em 2022, queda de 6,5% sobre 2021. Em 2023 foram 1.405, e em 2024, 2.273, o maior número da série histórica, iniciada em 2005, e alta de 61,8% sobre o ano anterior. Micro e pequenas empresas responderam por 1.676 dos pedidos de 2024.
Como ler os números
Cada indicador tem uma metodologia própria, e a escolha do ano de comparação influencia a leitura. Em situação de rua, parte da alta pode refletir um cadastro mais amplo, e não só um aumento real. Na dívida, a série foi revisada. Nas contas, os valores de 2022 e de 2025 não incluem juros. Nas recuperações judiciais, 2022 foi um ano de pedidos abaixo do de 2021.
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31/10/2026






