Como funciona a suspensão de vistos para empresas de tecnologia nos EUA
Governo americano bloqueia grandes companhias de programa que leva ao green card por uso abusivo

A suspensão de programas de imigração para grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos mexe com o mercado global e afeta diretamente profissionais estrangeiros. A medida do governo americano restringe o acesso a vistos de residência permanente para companhias acusadas de uso abusivo do sistema. O objetivo oficial é forçar essas empresas a priorizar a contratação de trabalhadores locais em vez de trazer mão de obra de outros países.
O programa afetado é conhecido como PERM, ou Programa de Certificação Permanente de Trabalho, que funciona como uma etapa fundamental para a obtenção do green card por motivos profissionais. Nele, a empresa precisa demonstrar que tentou encontrar um profissional americano qualificado e disponível, mas sem sucesso, antes de conseguir patrocinar um estrangeiro. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos é o órgão responsável por emitir essa certificação e analisar as solicitações enviadas pelos empregadores.
A suspensão foi anunciada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e pelo secretário do Trabalho, Keith Sonderling, durante uma coletiva de imprensa em Washington. Entre as empresas atingidas pela medida estão gigantes globais como Microsoft, Adobe, Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL e Capgemini. O governo americano afirmou que existem várias investigações federais em andamento sobre fraudes e uso generalizado indevido desse sistema de vistos.
Prazos e regras da suspensão de vistos
A suspensão aplicada pelo governo dos Estados Unidos ocorre por tempo indeterminado e permanece em vigor até que as autoridades considerem que as irregularidades foram solucionadas. Na prática, o Departamento do Trabalho interrompeu o processamento de todos os novos pedidos e também paralisou a análise de solicitações que já estavam pendentes e envolviam as empresas citadas. Com isso, nenhuma dessas companhias pode avançar no processo de patrocínio de funcionários estrangeiros por meio dessa via específica.
As autoridades americanas afirmam que as restrições servem para proteger o mercado de trabalho interno e evitar que empresas utilizem trabalhadores estrangeiros sob condições desfavoráveis. O governo instou os executivos a mudarem suas políticas internas para abrir vagas a profissionais locais. A ofensiva ocorre em meio a outras medidas de endurecimento das regras migratórias no país, abrangendo tanto vias legais quanto irregulares de entrada e permanência.
Para quem busca uma vaga nas gigantes da tecnologia afetadas, a principal mudança é a obrigatoriedade de as empresas voltarem seus esforços de recrutamento para o mercado americano. Grupos empresariais do setor alertaram que a medida pode gerar tensão e afetar a oferta de mão de obra qualificada, embora o governo mantenha sua posição de incentivar a contratação local. As companhias citadas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a suspensão.
O futuro do programa e a duração exata da punição ainda dependem do desfecho das investigações federais em andamento nos Estados Unidos. O governo indicou que as restrições só serão revistas quando houver garantias de que as empresas corrigiram suas práticas de contratação. Enquanto isso, o setor de tecnologia busca negociar com autoridades para minimizar o impacto na operação global e na retenção de talentos estrangeiros.
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31/10/2026






