CNI reduz projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2% para 1,6%
A Confederação Nacional da Indústria revisou para baixo a estimativa de expansão da economia no Informe Conjuntural do terceiro trimestre. A indústria de transformação passou a ter projeção de queda de 0,7%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A revisão consta no Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado nesta quarta-feira (28), e reflete perspectivas menos favoráveis para a indústria e para o setor de serviços.
Indústria tem a maior revisão negativa
A entidade cortou de 2% para 1,3% a expectativa de crescimento do setor industrial em 2026, mesmo com a previsão de expansão de 9,1% da indústria extrativa. O principal obstáculo é a indústria de transformação, cuja projeção passou de alta de 0,6%, estimada em julho, para queda de 0,7% neste ano.
Segundo a CNI, o segmento enfrenta demanda interna enfraquecida, juros elevados, condições financeiras mais desfavoráveis para empresas e famílias, aumento dos custos de produção e maior entrada de produtos importados. A construção civil teve a expectativa mantida em 1,5%, sustentada pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e por investimentos em infraestrutura.
Serviços e agropecuária
A projeção de avanço do setor de serviços passou de 1,9% para 1,6%, em meio à estagnação do volume de serviços desde o fim de 2025 e à desaceleração do comércio varejista, sobretudo nas atividades mais dependentes de crédito. A agropecuária foi o único setor produtivo com revisão positiva: a estimativa subiu de 1,8% para 2,5%, impulsionada pela melhora das perspectivas para a segunda safra de milho.
"Quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros", afirmou Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.
Emprego e contas públicas
Apesar da perda de ritmo, o mercado de trabalho deve continuar sustentando parte da demanda. A CNI prevê crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026 e queda da taxa de desemprego, de 5,3% atualmente para 5% no fim do ano. A massa de rendimento real deve aumentar 4,6% em relação a 2025.
Na área fiscal, a entidade projeta que as despesas federais cresçam 4,6% acima da inflação e que a receita líquida tenha alta real de 5,9%. Mesmo assim, estima déficit primário de R$ 54,6 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB. Com a exclusão de cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas para fins de cumprimento da meta fiscal, o resultado seria um superávit de R$ 12,6 bilhões, ou 0,1% do PIB.
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31/10/2026






